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quarta-feira, 20 de novembro de 2024

O vinho de São Martinho e o teu olhar


Tínhamos quase dezoito anos.


Festejava-se o São Martinho, com uma fogueira, havia também uma caldeira enorme onde aqueciam vinho.

Havia tradições estranhas. Ainda há. Nunca conseguimos deixar de ser estranhos.

Fomos quase obrigados a beber aquela pinga quente, que eras capaz de dar a volta à barriga de qualquer um, desprevenido. Ou se insistissemos, num outro copo, ficarmos demasiado alegres.

Acho que só bebemos um copo.

Recordo apenas o teu sorriso iluminado pelo fogo, que te dava um ar mais selvagem, roubando-te a inocência que ainda possuias, enquanto fumavas um cigarro... 


quarta-feira, 23 de novembro de 2022

A Vida a Espaços pode ser Bela... espaços curtos, eu sei...

 

Ontem vi a "Bela da Aldeia".


Tinham passado mais de trinta anos. Curiosamente, continuava bela. a espaços. O meu primo disse que ela estava muito "estragada". Não concordei nada.

Mas eu era de outro mundo, gostava mais de rugas que de operações plásticas.

Olhámo-nos nos olhos por momentos e sorrimos. O homem que a acompanhava devia ser o marido. Também me olhou, mas sem sorrisos.

Depois viajei no tempo... Foi bom reencontrar-nos quando éramos mais inocentes e espontâneos.

A vida a espaços pode ser bela.... espaços curtos, eu sei...


terça-feira, 25 de agosto de 2020

Agosto Diferente


Este Agosto tem menos sal.




Não que fosse proibido molhar os pés no mar, mas tudo mudou à nossa volta.
Mesmo sem querermos, acabamos por acompanhar as mudanças...

Em parte foi como se voltasse à infância em que as férias tinham mais campo que mar...

Tal como tu, também li muito, sobretudo romances.


domingo, 29 de setembro de 2019

O Nosso Chafariz...


Parei o carro junto ao nosso chafariz.




Continua com a placa que nos avisa que a água não é tratada e que é imprópria para se beber.

Como nos sabia bem na meninice, descermos a estrada a correr atrás um do outro e depois saborearmos aquela água tão fresca que corria da bica do chafariz...

E depois molhava-te quase sempre com a água do bebedouro dos animais e tu gritavas e corrias atrás de mim...

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Memórias que Não se Apagam...


Campos que desapareceram, onde corremos e rebolámos.


Ficou tudo cheio de chamas, provocadas por homens cruéis, que infelizmente mataram. Só não conseguem é apagar memórias...

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Trás-os-Montes não é o Circo


É difícil começar a falar de um lugar que quase não conheço, porque sempre foi o mais longe do "meu mundo português".


O pai saiu de lá assim que pode, sem muita vontade de voltar.
Nem nunca passei lá as férias que devia, fui meia-dúzia de vezes à festa da aldeia e lembro-me de ficar todo lambuzado com os beijos das velhas, vestidas quase todas de negro.

Mesmo com todo este "desamor" fui capaz de defender todas as mulheres daquela região pobre, com problemas maiores que no Sul, por exemplo, por nunca se terem libertado do poder clerical. Isso aconteceu há uns bons vinte anos.
Estava numa sala de trabalho e uns "estrangeirados da treta" (continua a ver-se muito disso neste país, gente que gosta de falar do que não sabe nem conhece...) começaram a inventar factos, quando chegaram a Trás-os-Montes, encheram as mulheres de bigodes de pelos nas axilas e pernas.
Farto daquela conversa ordinária, perguntei-lhes se alguma vez tinham estado naquela região. Olharam uns para os outros e nenhum teve coragem de dizer que sim, de mentir.
Foi então que lhes disse que conhecia as mulheres de Trás-os-Montes e não tinham aquelas características. 
O silêncio só se quebrou quando eu acrescentei que a única mulher parecida que tinha visto foi num cartaz de circo e essa até tinha barba.

Lá voltaram os sorrisos, mesmo que alguns fossem amarelos.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Festa na Aldeia


Eras a grande atracção da festa. Tiravam-te retratos quando te viraste e olhaste para mim, com o sorriso bonito que estavas a usar para as fotografias.


Acenei-te, quase sem jeito e ainda na dúvida se me terias reconhecido. Se fizesse as contas, já tinham passado uns anos bons desde a a última vez que nos tínhamos encontrado.

Continuavas bonita, melhor que eu, como sempre.