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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Fomos quase amantes...

Tenho saudades do tempo em que quase fomos amantes.


Houve um período em que tivemos de escolher e... acabámos por seguir o caminho menos incómodo.

Há quem se encontre para satisfazer os seus desejos físicos num motel e há quem prefira encontrar-se antes num restaurante e comer uma refeição bem acompanhado...

Preferimos, uma, duas, três, quatro, cinco vezes... entrar em casas de pasto. Apesar dos nossos olhares e das nossas outras vontades, não quisemos dar o tal outro passo.

Não quisemos quebrar o encanto proporcionado por uma boa conversa, acompanhada de uma boa refeição. Estávamos de tal maneira habituados aquela forma de convívio, menos ardente, mas muito mais aberta, descontraída e alegre, que nunca demos o passo que chamam "seguinte".

Depois apareceu o covid e roubou-nos os restaurantes e as conversas... 

Quando tudo voltou ao chamado "normal", apareceram outras pessoas e perdemos o caminho que era só nosso.

Não te voltei a telefonar, depois de te desculpares com o trabalho e dizeres que depois conversávamos e nunca mais existir o tal "depois".

Mesmo que saiba que a água dos rios não anda para trás, contínuo com saudades do tempo em que quase fomos amantes...


quinta-feira, 28 de março de 2019

A Mulher Trabalhadora...


«Queres subir?»

Não percebi. Nem à primeira nem à segunda.



Depois sim. Entendi...

A mulher andava por ali em busca de clientes.

Era tão normal. Quase sem tinta no rosto e sem um decote prometedor ou uma saia acima do joelho.

Quando a voltei a procurar, tinha desaparecido...


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Olhares Vagabundos...


Pediste-me lume.

Eu como todos os antigos amantes, ando quase sempre com uma caixa de fósforos no bolso.



Agradeceste.

Percebi que sonhavas acordava, estavas distante.

Foi por isso que imaginei que andavas por ali, a fugir, ou à procura, de um amor antigo...


sábado, 29 de setembro de 2018

«Olá, tu por aqui...»


Há uma canção do Paulo de Carvalho, em que ele canta qualquer coisa como: "olá, tu por aqui...", eu poderia ter dito isso, mas não, preferi fitar-te, mais discretamente que tu, que deixaste o que estavas a fazer e ficaste por ali, quase um minuto a perseguir-me com o olhar.


Ainda por cima estava acompanhado e tive de levar com a pergunta do costume: "Quem é?"

Disse que a tua cara não me era estranha, mas não conseguia colar-te a nenhuma história, sem me preocupar, se estava ou não ser convincente.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

O Álcool Dá Sempre Jeito, em Todas as Idades...


Não são só os adolescentes que precisam de utilizar o álcool como principal elemento de descontracção. 


Foi por isso que desculpei a tentativa de beberes mais que a conta, para conseguires enfiar-te na cama comigo.

Quando te disse que te preferia sóbria, sorriste quase sem jeito.

Só não estava à espera que me contasses muito mais que queria saber da tua vida. Em vez de ficar mais descontraído, senti-me estranho, quando disseste que há catorze meses que não estavas sozinha com um homem.

Fico a pensar que já não tenho idade para histórias difíceis, ou pelo menos finjo...

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Dar de Beber à Dor


Bebias mais do que eu, muito mais.


Como a maior parte dos homens, não percebi logo aquela necessidade de dar de beber à dor.

Distracções que às vezes se revelam fatais...

sábado, 14 de agosto de 2010

Tua Voz e Teu Corpo Quente



Há muito que não me acontecia, ouvir alguém cantar e começar a pensar noutras músicas.

Sei apenas que quando dei por mim estava a despir-te.

Só não sei de onde apareceu o teu cigarro...

sábado, 23 de janeiro de 2010

Olhei-te e Tu Escondeste-te


Não sei o que senti, quando te vi virares-me as costas.
Foi algo que pairou entre a desilusão e de tristeza.
Fui bebendo aqui e ali, até fazer ésses e dar encontrões a conhecidos e desconhecidos.
Um deles não gostou e quis bater-me. Não sei porquê, mas escapei.
E fui mesmo ordinário.
Sou o que se chama um tipo com "mau vinho"...
O mais inquietante é que fui acordado pela tua voz, ligaste-me,
querias saber como estava...
Disse: «com sono», e desliguei o telefone...

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Praia? Não. Obrigado!

Não me recordo de uma praia sem gente, neste litoral, invadido por todas as interioridades, a partir de Junho.
É assim desde a infância (malditas Costa da Caparica e Carcavelos).
Esperem, lembro-me de uma, mas já não é...
Onde antes existiu um areal quase deserto, com apenas um barracão para pescadores. Era preciso descer as pedras, agora semearam lá umas escadas amarelas e azuis e aquilo tornou-se moda surfista, até de banheira.

Pois bem, para piorar as coisas, como sou branco e fininho, tenho vergonha de andar de calções, de me misturar com os hércules e as boas e sexis, vestidos e vestidas apenas com as modernas parras da eva e do adão.
Ainda visitei algumas praias à noite, com gente a dar música, petiscos e bebidas fortalhaças. Mas aquela confusão incomodava-me. Pensei: «para quê ir para a confusão, se posso entrar nos melhores bares de Lisboa, tão confortáveis e sem as enchentes do costume?»
As minhas férias? Tiro-as no Inverno e na Primavera, sem neve e sem praia. Prefiro viajar, conhecer mundos, cidades e pessoas normais, mais ou menos vestidas.

Praia? Não. Obrigado!