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domingo, 10 de agosto de 2008

Então, são Heróis ou Assassinos?


Neste país que também é meu, embora não o escolhesse, por razões óbvias, as variações de humor são incontáveis. Pior que estes estados de alma, entre o riso expansivo e a cara de desgraçadinho, só as mudanças de opinião.
Estava sentado na tasca do bairro a ler o jornal e ia ouvindo as bojardas que iam saindo da mesa ao lado em relação ao tema da semana: a tentativa de assalto de um banco com sequestro.
Primeiro chamavam nomes aos brasileiros e diziam que até que enfim, que os polícias eram polícias.
Com a chegada de um gajo que até no Verão usa gravata, as opiniões começaram a dançar, porque o "pacheco pereira" da mesa, não gostava de polícias e achava que não era preciso matar, faltava diálogo e educação aos agentes da autoridade.
Em menos de um minuto estavam todos a concordar com o "gravata cor de rosa", os polícias afinal não eram heróis, eram mais uns assassinos...
Se a taberna vendesse uns BM's fresquinhos, eram bem atirados para as carantonhas daquelas marionetes ambulantes.
É por causa desta gentalha, que em vez de pensar gosta é de andar em rebanho, que me irrita ser Português.
Antes de sair, vi que o gajo da gravata, estava a pagar a rodada...

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Não Gosto de Polícias nem de Bandidos


Não gosto de polícias nem de bandidos...

Não me esqueço que cresci numa rua que era muito visitada pelos polícias, por duas razões especiais, no número 12 existia um bordel de terceira categoria e numa das esquinas vivia um senhor que diziam que era comunista. Não sei o que era, além de boa pessoa e um excelente guitarrista, muito requisitado pelas casas de fado.
Sei apenas que as mulheres falsamente púdicas e os bufos da situação, estavam sempre na esquadra a fazer queixinhas das "meninas" e do "comunista".

Os polícias chegavam sempre com maus modos, como se fossem donos do bairro, ao ponto de nos obrigarem a vestir a pele de bandidos e atirarmos várias fisgadas aos seus bonés e rabos salientes, escondidos na folhagem das árvores da propriedade do senhor Afonso, que se dizia conde da Ericeira. Ali eles não chegavam, nem com reforços, porque tinham medo dos cães, três pastores alemães que andavam sempre à solta, e para nossa sorte, gostavam de nós e odiavam fardas.

À medida que fui crescendo comecei a ficar cansado de ser "bandido".
Porquê? Porque só conhecia malandragem de quinta categoria, sempre prontos para assaltar velhinhas e nunca a planearem um grande golpe, como via nos filmes ou lia nos livros.

Hoje ainda estou mais dividido.

Percebo que com estes "nazistas", com um pé dentro e outro fora das claques de futebol, só há uma forma de diálogo, à cacetada.

Mas às vezes sinto saudades da minha fisga... e eu até era bom de pontaria...