Mostrando postagens com marcador Conversas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Conversas. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Fomos quase amantes...

Tenho saudades do tempo em que quase fomos amantes.


Houve um período em que tivemos de escolher e... acabámos por seguir o caminho menos incómodo.

Há quem se encontre para satisfazer os seus desejos físicos num motel e há quem prefira encontrar-se antes num restaurante e comer uma refeição bem acompanhado...

Preferimos, uma, duas, três, quatro, cinco vezes... entrar em casas de pasto. Apesar dos nossos olhares e das nossas outras vontades, não quisemos dar o tal outro passo.

Não quisemos quebrar o encanto proporcionado por uma boa conversa, acompanhada de uma boa refeição. Estávamos de tal maneira habituados aquela forma de convívio, menos ardente, mas muito mais aberta, descontraída e alegre, que nunca demos o passo que chamam "seguinte".

Depois apareceu o covid e roubou-nos os restaurantes e as conversas... 

Quando tudo voltou ao chamado "normal", apareceram outras pessoas e perdemos o caminho que era só nosso.

Não te voltei a telefonar, depois de te desculpares com o trabalho e dizeres que depois conversávamos e nunca mais existir o tal "depois".

Mesmo que saiba que a água dos rios não anda para trás, contínuo com saudades do tempo em que quase fomos amantes...


domingo, 9 de março de 2025

Não sei mesmo...

 

Não sei quem tem a língua mais suja, se nós homens, se elas mulheres.


Numa mesa de homens é possível dizerem-se mais ordinarices, coisas mais parvas, mas é tudo superficial, em grupo, raramente vamos ao osso.

Numa mesa de mulheres as coisas são diferentes. Pode-se não dizer um palavrão, mas as conversas avançam para todo o lado, e muitas vezes de uma forma profunda.

É por isso que não sei quem suja mais a língua...


quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Foi tudo tão simples...


Foi tudo tão simples.


Sim, o mundo era muito mais complicado que nós.

Transportavas um polvo que compraste directamente ao pescador da nossa rua, amigo do teu pai.

Olhámos um para o outro, falei da coisa esquisita que transportavas no saco, sorriste e falaste da coisa deliciosa, que a tua avó fazia no forno.

Até as nossas palavras eram simples, sem quererem chegar a lado nenhum.

Chegámos à esquina e despedimo-nos, sem sabermos um nome ou um lugar onde seria possível, continuar aquela conversa que parecia distante dos amores...


sábado, 23 de dezembro de 2023

Um livro para o Natal...


Perguntaste-me se ainda gostava de receber livros no Natal.



Disse que sim. Mas não apenas no Natal. Gosto de pensar que o Natal é quando cada um de nós quiser...

Com alguma lata disseste preferir um perfume, que acabara de passar na televisão.

Sorrimos os dois, com a cumplicidade dos amantes.

O mais giro foi que no dia seguinte tivemos a mesma ideia. Eu recebi um livro, tu recebeste um perfume.


sexta-feira, 17 de março de 2023

Na rua logo pela manhã...


Levantou-se cedo. Saiu de casa ainda antes das nove.


Quando a encontrei, perguntei-lhe o que fazia uma artista àquela hora na rua.

Sorriu de forma luminosa, coisa rara nas manhãs. E disse-me apenas bom dia.

Só depois do almoço é que nos encontrámos, no nosso café.  E soube que tinha ido a um casting para uma série das américas.

Perguntei-lhe como correra. Não sabia. Nunca sabe. 

Só depois de receber o telefonema da agência é que fica a saber se sim ou não. Disse que é sempre assim. 

Acendeu um cigarro e disse que depois de mais de uma centena de castings, as perspectivas são sempre baixas. Tudo o que vier é ganho, mas não adianta querer ultrapassar o tempo nem ter demasiadas esperanças.

Não lhe disse, mas continuo sem saber como é que há tanta gente por aí que quer ser artista...


quinta-feira, 20 de outubro de 2022

"Andar por Andar" (não é para elas)...


"Andar por andar", não é coisa para mulheres, por muito que mintam no começo, no meio ou no fim.


Querem sempre mais que um simples "andar". Foi a conclusão daquele jantar bem comido, bem bebido, bem conversado e bem sorrido.

Eram cinco, os amigos que depois do jantar, conseguiam brincar com as suas vidas amorosas arruinadas, depois de passarem a casamento. 

Quem terá inventado essa coisa parva?

Passaram por ali, divórcios, filhos, amantes, pensões... segundas mulheres (há quem goste de navegar no erro...), e até num caso, uma terceira.

Felizmente o bom humor reinou, num ambiente solto e livre, provavelmente por não existirem mulheres por perto (as da cozinha estavam escondidas...).


quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Laura, a Mulher que Pinta as ruas do Bairro de Preto


A conversa era absurda, como são tantas conversas entre homens sobre as mulheres.



Falava-se sobre a Laura, a viúva mais jovem do bairro, que ainda não ultrapassara os quarenta.

Um deles disse que era uma tristeza as mulheres enviuvarem demasiado cedo. Outro nem por isso. Só via vantagens nestas mulheres temporariamente sós, por continuarem com o fogo no corpo. Acrescentando que era por isso que era bombeiro.

Percebemos todos que quis ter graça, mas só conseguiu ser ordinário. 

Sabíamos que a Laura precisava de muito mais que um desgraçado de um bombeiro, que nem sequer conseguia ser engraçado, numa mesa de café...


sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Uma Noite só Para Ouvir...


Era uma rapariga complicada, a pintora da Rua 13. 




Sempre que passo na rua que tem um nome de pessoa mas que sempre foi conhecida pela malta por este número da sorte e do azar, lembro-me dela.

Muito nervosa e arisca, só falava sobre livros e artes. Caminhava para os trinta e não se lhe conhecia um relacionamento, masculino ou feminino.

Um dia calhou beber mais que a conta e escolher-me como confidente.

Fiquei a saber quem era mãe (à época uma jornalista conhecida, que ela detestava, e foi por isso que aos 14 anos foi viver com o pai, publicitário e artista plástico quando lhe apetecia).

Não se arrepende nem um pouco da decisão. Detestava viver longe do pai e não aceitava que a mãe trouxesse tantos homens diferentes para dentro do seu quarto, mesmo que apenas conhecesse a voz da maioria. 

O pai não era um homem de afectos, mas era bom e inteligente. Ajudou-a a crescer, levava-a a museus e também visitavam ateliers de amigos pintores. Mas o melhor de tudo, era a pequena casa ser só dos dois. Enquanto viveram juntos, nunca levou para o seu quarto uma mulher.

Apeteceu-me dizer-lhe que somos diferentes e temos necessidades diferentes, mas aquela noite era só para ouvir...


domingo, 15 de agosto de 2021

Acontece com Quase Todos


Nunca esqueceu as palavras daquela mulher quase casada: «Não podemos estragar o pouco que temos.»



Palavras ditas quando estavam a ficar perigosamente próximos.

A partir daí foi demasiado visível o seu afastamento. Mas não fez nada para "encurtar distâncias". Há uns dias que se arrepende, outros nem por isso.

Soube mais tarde que ela estava a viver sozinha com um filhote de meses. O casamento estava longe de ser o que imaginava. Acontece com quase todos.

Mas nunca mais se conseguiu aproximar. De longe a longe cruzam-se nas ruas, cumprimentam-se, trocam palavras de circunstâncias e fingem que "não se passa nada" dentro deles...


terça-feira, 25 de agosto de 2020

Agosto Diferente


Este Agosto tem menos sal.




Não que fosse proibido molhar os pés no mar, mas tudo mudou à nossa volta.
Mesmo sem querermos, acabamos por acompanhar as mudanças...

Em parte foi como se voltasse à infância em que as férias tinham mais campo que mar...

Tal como tu, também li muito, sobretudo romances.


domingo, 23 de fevereiro de 2020

Raridades...


Quando as pessoas não se sentem confortáveis com a "pele" que lhes tentam colar, por cima da verdadeira, podem "fugir".


Sei que é raro. Mas há mais que um caso, de actrizes que deixaram de o ser, cansadas de tudo o que as rodeava.

A senhora que tive o prazer de conhecer, com o segundo nome da minha querida Margarida, falou-me da inveja e das patifarias que se faziam nos bastidores, por um papel...

Quando ouve falar em solidariedade, esboça sempre o sorriso. Por ser uma coisa que se fala muito e que se pratica tão pouco...

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Gostar de Mais de uma Mulher...


Perguntaste e eu respondi.



Sim, podemos continuar a gostar de mais que uma mulher, pela vida fora, mesmo sem intensidades, sem reencontros ou viagens carnais. 

Porque há pessoas marcantes, que ficam "tatuadas" no nosso corpo...

sábado, 30 de novembro de 2019

Falar do Tempo...


Telefonaste-me para falar do tempo.



Da chuva que caía. Até me perguntaste se ainda perdia chapéus de chuva. Disse que não, porque raramente os uso.

Normalmente esgueiro-me por baixo das varandas e entro no primeiro café e fico à espera de uma "aberta"...


sábado, 27 de outubro de 2018

Há Mulheres Assim...


Não partilhava da mesma ideia do Orlando, mesmo não sendo um purista ou um poeta, capaz de dizer que todas as mulheres eram bonitas...



Também sei que a partir de certa idade, praticamos menos o "sexo pelo sexo". E sim, ela estava longe de ser o meu tipo. 

O pior era querer ser o que não era. Mas dai a ser uma "máquina de perder tesão"...

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

«A rua fica mais bonita quando ela passa.»


«A rua fica mais bonita quando ela passa.»


Esta frase escrita não tem o mesmo encanto de quando é dita por um velho balzaquiano, solteirão por acaso e namoradeiro por vocação, quando assiste à passagem de uma jovem, sempre bem "abonecada".

O Carlos Alberto gosta de mulheres, especialmente das bonitas, dos 16 aos 70, menos e mais que isso não lhe merecem atenção, por serem mulheres a menos e mulheres a mais (a expressão é dele...).


terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Porque me Encheram de Perguntas...


Encheram-me de perguntas que não soube responder.


Não sabia ao certo porque tinhas aceite aquele lugar de tantos homens e antes de apenas uma mulher.

Na segunda reunião fiquei quase a teu lado. Foi por isso que vi o teu olhar cansado e ouvi o teu silêncio, enquanto os homens do meio esgrimiam os mesmos argumentos de sempre.

Quando falaste, foste serena e sabida, mostrando o melhor da essência feminina.

Só o facto de não pegares em armas para lutares com eles, está a desarmá-los. Não conhecem este tipo de luta e quase que espumam pela boca. 

É por isso que me enchem de perguntas, que eu também não sei responder. 

Fico dentro do meu silêncio a pensar que na cama não há chefes, apenas vontades para satisfazer prazeres...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A Sexta Mulher


Conhecia o homem de vista mas estava longe de imaginar que já tinha casado cinco vezes e que se preparava para o sexto, com a mulher que estava numa mesa afastada e era o centro das atenções.


No bairro todos o tratavam por "cabrãozinho", davam-lhe palmadinhas nas costas enquanto lhe contavam anedotas do piorio sobre cornos.

Ele? Ria com gosto.

Eugénio conhecia-o desde sempre e há muito que percebera que ele era um cabrão militante. Por saber que as cinco mulheres o tinham traído com amigos, dizia que ele até os devia convidar para entrarem no quarto (entre muitas ordinarices). Foi por que esfregou o bigode e disse que a sexta era para ele.

Foi risota geral.

A "sexta" mulher continuava serenamente a aproveitar o Sol de Janeiro, longe de imaginar, que até já tinha um candidato a amante, sem sequer ser ouvida ou achada.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Apartamento com Vista para o Sol


O orgulho do nome caiu em desgraça no fim da adolescência, quando começaram a gozar com a parte "da cunha", essa instituição nacional, que os alemães e suecos fingem ser uma invenção e prática dos povos sulistas.



Foi remédio santo. Cresceu e esqueceu o "da cunha", que só usa nas reuniões de famílias com pergaminhos, que sente serem uma coisa "a brincar". Sim, brincar aos ricos falidos, que vivem em apartamentos citadinos mas falam das quintas que nunca conheceram e das casas de verão.

Mesmo assim ela e as amigas continuam com as mãos cheias de aneis, que só não são verdadeiros porque cada vez há mais gatunagem nas ruas...

sábado, 15 de outubro de 2016

Às Vezes Apetece-nos Fugir, mas não Conseguimos...


Às vezes queremos fugir, mas não conseguimos...


Foi o que me aconteceu quando te vi sentada na esplanada, a carpir a solidão dos quarenta ou outra coisa qualquer. 

A última vez que conversámos ficámos assim para o chateado. Pelo menos nunca mais telefonaste ou fizeste-te aparecida nas ruas que percorriamos.

Acho que queria evitar qualquer cena triste, qualquer provocação, ou até agressão.

Nós humanos somos mesmo esquisitos. Ou estúpidos, parece-me que fica melhor.

Mas ainda bem que não mudei de passeio, porque assim que me viste sorriste, não sei de quê, mas era de qualquer coisa boa. E não da nossa última conversa. Acabei por beber o café na tua mesa. Não falei muito mas ouvi bastante. Precisavas muito de falar, de dizer mal de tudo e de todos (desta vez escapei...).

O mais estranho foi comportares-te como se nunca nos tivéssemos chateado, como se estivéssemos ali no dia anterior, com a mesma conversa de "partir isto tudo".

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Trás-os-Montes não é o Circo


É difícil começar a falar de um lugar que quase não conheço, porque sempre foi o mais longe do "meu mundo português".


O pai saiu de lá assim que pode, sem muita vontade de voltar.
Nem nunca passei lá as férias que devia, fui meia-dúzia de vezes à festa da aldeia e lembro-me de ficar todo lambuzado com os beijos das velhas, vestidas quase todas de negro.

Mesmo com todo este "desamor" fui capaz de defender todas as mulheres daquela região pobre, com problemas maiores que no Sul, por exemplo, por nunca se terem libertado do poder clerical. Isso aconteceu há uns bons vinte anos.
Estava numa sala de trabalho e uns "estrangeirados da treta" (continua a ver-se muito disso neste país, gente que gosta de falar do que não sabe nem conhece...) começaram a inventar factos, quando chegaram a Trás-os-Montes, encheram as mulheres de bigodes de pelos nas axilas e pernas.
Farto daquela conversa ordinária, perguntei-lhes se alguma vez tinham estado naquela região. Olharam uns para os outros e nenhum teve coragem de dizer que sim, de mentir.
Foi então que lhes disse que conhecia as mulheres de Trás-os-Montes e não tinham aquelas características. 
O silêncio só se quebrou quando eu acrescentei que a única mulher parecida que tinha visto foi num cartaz de circo e essa até tinha barba.

Lá voltaram os sorrisos, mesmo que alguns fossem amarelos.