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quarta-feira, 16 de agosto de 2023

O Agosto em Lisboa já não é o mesmo...


Se as temperaturas não fossem tão altas como são nos nossos dias, Agosto era óptimo para se estar nas cidades.


Muita coisa mudou. E não foi só o calor...

A febre do turismo acabou com a ausência de pessoas.

O Agosto em Lisboa não é a mesma coisa. As multidões parecem ainda maiores, que nos meses normais. É só gente de calções e vestidos leves, que tiram mais retratos do que olham para as coisas...


domingo, 13 de junho de 2021

"Enquanto durou foi bom..."

 

Eras tudo o que eu sonhara...


Foi um Junho diferente, com santos populares em Alfama, banhos nocturnos em Cascais, passeios pedestres na Serra de Sintra, e outras coisas, melhores.

Depois fugiste... E eu percebi pela primeira vez o significado da expressão: "enquanto durou foi bom..."


sábado, 20 de fevereiro de 2021

Saudades Improváveis...


 As pessoas dos bairros antigos nunca pensaram vir a sentir saudades dos turistas.



A pasmaceira tornou-se triste, o silêncio um pesadelo, as portas fechadas o princípio de qualquer fim...


domingo, 11 de outubro de 2009

Surpresa Eleitoral


Enquanto esperava à porta da escola, estava longe de pensar que ia ter uma surpresa na mesa de voto.
Estavas ali sentada, a folhear a lista dos eleitores, seguindo as ordens do "chefe de mesa".
Não sabia que eras ligada à política. Provavelmente andaste por aí, pelas ruas , com uma bandeira e a distribuir papeis.
Olhei-te a pores uma cruz na lista onde estava o meu nome.
Ficaste em vantagem, deixei de ser anónimo.

Antes de partir, desejei um bom dia a todos, com os olhos cravados em ti.

domingo, 16 de agosto de 2009

Querias Matar a Sede


Quando entrei percebi, querias matar a sede...
O corpo é assim, quando se lembra das voltas que dá, com e sem cambalhotas...
Esperaste-me, querias muito que fosse eu a dar-te um copo de água...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Só Tu...


Só tu é que ainda és capaz de me fazer perder o último comboio.
Só não percebi porque razão ainda não perdeste a mania de olhar para o chão. Moedas e notas já não há, e não te vale de nada esconderes esses olhos lindos...

sexta-feira, 29 de maio de 2009

A Fadista da Moda


Já tive o prazer de ouvir a Carminho cantar ao vivo duas vezes.

Percebi que se fechasse os olhos, não ia dizer que era uma fadista com cara de menina, que cantava daquela forma.

Ela canta bem, mas não a consigo olhar como um fenómeno, como a grande fadista da moda. Talvez o problema seja meu.

Ou é então é de gostar da Ana Moura ou da Mariza.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Miragem na Baixa


Juro que te vi!

Que mania que vocês têm, que podem passar despercebidas em Lisboa, porque é tudo demasiado televisão e pouco cinema na Cidade Branca...
Gostei do teu novo penteado, só não sabia que gostavas de andar de ténis.

terça-feira, 31 de março de 2009

Vi-te e Acenei...


Poderia ter gritado, mas limitei-me a acenar...
Não era costume estares à varanda, pelo menos à hora que eu passo.
E não é que também acenaste?...

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Era Mentira...


Tive um sonho terrível.

De repente sai para a rua e não descobri nenhum veiculo motorizado. Além dos eléctricos, apenas passavam bicicletas na minha rua...

Sorri e sentei-me nas escadas da entrada da casa.

Portugal agora era uma espécie de China. Até havia uns "táxis" a pedal.
O petróleo não só estava a preços proibitivos, como a sua venda era proibida.
O nosso país, finalmente, resolvera assumir a sua costela alternativa, tinha tudo o que os outros não tinham nas europas...

Claro que depois acordei e percebi que continuavamos a ser os "seguidistas" do costume.

Não é que quisesse viver na "china", mas sabia-me bem respirar numa cidade quase sem carros...

sábado, 31 de janeiro de 2009

Quase que Danço na Chuva


Como gosto deste tempo molhado!

Olham-me como se fosse um maluquinho, por me verem apenas de gabardine e com a boina impermeável, que herdei do avô Eduardo, a sorrir para o céu cinzento.

Fogem de mim, no metro e no autocarro, com medo das gotas de água que ficam guardadas quase nos bolsos da gabardine.

Chapéus de chuva? Não obrigado. Nunca gostei de cogumelos...

domingo, 10 de agosto de 2008

Então, são Heróis ou Assassinos?


Neste país que também é meu, embora não o escolhesse, por razões óbvias, as variações de humor são incontáveis. Pior que estes estados de alma, entre o riso expansivo e a cara de desgraçadinho, só as mudanças de opinião.
Estava sentado na tasca do bairro a ler o jornal e ia ouvindo as bojardas que iam saindo da mesa ao lado em relação ao tema da semana: a tentativa de assalto de um banco com sequestro.
Primeiro chamavam nomes aos brasileiros e diziam que até que enfim, que os polícias eram polícias.
Com a chegada de um gajo que até no Verão usa gravata, as opiniões começaram a dançar, porque o "pacheco pereira" da mesa, não gostava de polícias e achava que não era preciso matar, faltava diálogo e educação aos agentes da autoridade.
Em menos de um minuto estavam todos a concordar com o "gravata cor de rosa", os polícias afinal não eram heróis, eram mais uns assassinos...
Se a taberna vendesse uns BM's fresquinhos, eram bem atirados para as carantonhas daquelas marionetes ambulantes.
É por causa desta gentalha, que em vez de pensar gosta é de andar em rebanho, que me irrita ser Português.
Antes de sair, vi que o gajo da gravata, estava a pagar a rodada...

domingo, 20 de julho de 2008

Encher a Barriga de Fumo


Passei a noite pelo bar de perdição do meu tio Valentim.

Quando jovem o tio ficou enamorado pela rapariga que estava do lado de lá do balcão e cirandava de mesa e mesa, infelizmente casada com o dono, com no minimo vinte anos e cinquenta quilos de avanço.

Continuou a entrar naquela porta, a beber um bagaço que pedia meças ao scotche e a olhar a sua deusa, até começar a ser observado pelo dono da casa e da moçoila.

Um dia foi convidado a deixar de passar por alí, para continuar com os ossos inteiros.

O tio voltou no dia seguinte, no outro e no outro...

Nunca foi incomodado mas a rapariga foi proibida de sair do lado de dentro do balcão. E um dia desapareceu mesmo.

O tio contou-me essa história, trinta e muitos anos depois, entre cigarros, bagaços e histórias de Lisboa.

Nunca mais viu a boneca fatal, nunca mais a esqueceu.

O tio ainda está por cá, já não tem a pinta de "boggie", que metia respeito aos homens e admiração às mulheres, não fosse um homem dos jornais e da noite.

Fiquei ali, a fumar e a beber um bagaço, e depois outro, como se estivesse com o pai e com o tio, a ouvir histórias do bom tempo, quando existiam coristas que gostavam de se enrolar na madrugada.

domingo, 20 de abril de 2008

Olhar Para Trás Para Quê?

Não olho muito para trás, porque não há muito para dizer.
Não me recordo de existir aos vinte, devia ser completamente invisível. Os óculos não ajudavam muito, até porque não existiam os modelitos de hoje todos sofisticados, quase à medida do nosso rosto, que até são usados por quem não tem falta de vista.
Aos trinta continuava a ser um putozeco, com uma vivência peculiar da vida. Conhecia mais parques de campismo e residenciais de quinta categoria nas férias, que restaurantes ou hotéis com algum luxo e maneirismo.
Não tinha amigos com carrões, vivendas ou cartões de livre acesso nas noites lisboetas.
Só uma noite de Agosto, quando estava tudo de férias, menos eu, entrei no Salão Moderno e dancei com a tia do Alfredo, um tango apertado. Ele nunca soube. Nessas férias também me aventurei sozinho pelo Bairro Alto e toquei à porta do “Frágil”. A senhora de peso e mais tarde abraços, abriu-me a porta e deixou-me entrar, coisa rara no nosso grupo “pé de ténis”. Não percebi porquê. Talvez para deleite das bichas solitárias, que tinham os olhos à solta...
Era tudo tão vulgar, tinha namoradas, daquelas que não paravam o trânsito, mas que iam dando para os gastos...

Depois?

De repente tinha quarenta anos, era casado, tinha um filho... já quase não vestia calças de ganga, tinha uma colecção de gravatas e ternos considerável, porque tinha um emprego, que me obrigava a ser o que pensava que não era. Havia qualquer coisa que deixara de contar, parece que não memorizara este tempo, que me ofereceu uma vida normal, com casa, mulher, filho, carro, emprego, como se não fosse nada disso que eu quisesse da vida...

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Um Cigarro Com Palavras


Desde que nós, os gajos e as gajas que fumam, fomos proibidos de poluir o ar bafiento das salas de trabalho, enchemos as ruas de fumo e de conversas estranhas, com pessoas que pensávamos nunca trocar mais que duas palavras.
Passámos a ser todos primos de cães e cadelas, empurrados para a rua. Só falta mesmo alçarmos a perna e fazer uma mija...
O curioso é estas pausas encherem de inveja os não fumantes, que roem unhas e espreitam-nos janelas.
Eu depois de umas passas digo-lhes: «Que bom!
Já arranjei duas namoradas giras, desde Janeiro.
E como lavam os dentes e a boca, sabem bem melhor que cinzeiros...»
Eles coçam a cabeça e dizem que amanhã, vão começar a fumar...

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Palco Alfacinha (2)


Gosto da Fátima (Belo e bela...).

Talvez por ter sido colega de escola...
Talvez por ser simpática e bonita...
Talvez por não se vender por cinco tostões...

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Variedades Lisboetas


Passei pelo Parque Mayer, espaço de tantas promessas e abandonos.
Fiquei a saber que uma revista está prestes a estrear, com o João Baião e companhia...
Acabei a sorrir, ao pensar no Costa, no quanto deve estar arrependido de ter trocado o ministério pela honra de presidir a Capital.
Os laranjas não lhe perdoam a audácia e agora vão tentar prejudicá-lo ao máximo, com a estúpida maioria que conseguiram graças ao Santana, ou a uma contagem a rodar a fraude.
E Lisboa, continua adiada, imersa em todos estes fados, que não são acompanhados à guitarra, nem cantados pelos verdadeiros fadistas...

domingo, 28 de outubro de 2007

Espreitar o Rio das Colinas


Lisboa é um encanto.

Quem disser o contrário é mentiroso.

Há algo mais bonito que o Tejo e os seus bairros erguidos nas colinas da cidade?

Adoro espreitar o rio, de qualquer uma das suas colinas,

de qualquer um dos seus miradouros.

Amo Lisboa!

A fotografia é de Eduardo Gageiro.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

O Rei do Fado


Estava à minha janela, a sentir a brisa nocturna, quando ouvi uma voz rouca a cantar a "Viela", popularizada pelo "Ti Alfredo", a maior personalidade masculina do mundo do fado de Lisboa e do Mundo.

Um dos maiores orgulhos da minha vida foi ter ouvido cantar Alfredo Marceneiro, na festa dos oitenta anos do meu avô, de quem era amigo. Cantou apenas dois fados mas encheu toda a casa de emoção, com aquele seu jeito único de cantar a Canção de Lisboa.
Sempre foi filho da noite, nunca deixou de aparecer nas casas tipicas, para ouvir, conversar e por vezes, cantar... porque o fado foi sempre a sua vida.

Há vizinhos que se sentem incomodados por o senhor Ramiro utilizar na época alta o pátio interior da sua casa típica, para se cantar e ouvir o fado.
Eu, pelo contrário, acho delicioso poder estar à janela à ouvir as vozes masculinas e femininas que aparecem e me relembram histórias do passado, como esta do Rei de Fado...

domingo, 3 de junho de 2007

Bom Dia Lisboa


Voltei...

Senti saudades de Lisboa,

Da luz dos candeeiros que iluminam as ruas estreitas dos bairros de tantos amores...
Da claridade que cresce de madrugada, nas águas do rio...
Da minha janela que espreita quase tudo, da dona Maria e da gata Joana, que nos regaram as plantas do páteo...

Até senti saudades dos turistas que saem aos ésses da casa de fados da rua de baixo e enrolam-se com os caixotes do lixo...

Pois é, temos sempre saudades das pequenas e das grandes coisas...