Abril é liberdade, frescura, beleza, cor...
Poderia continuar a festejar Abril, por ser um mês bonito, com a Primavera impor-se nos campos e nas ruas.
"Se tivesse que me descrever, diria que sou uma pessoa à procura de palavras e que às vezes as encontra..." (Dinis Machado)
Abril é liberdade, frescura, beleza, cor...
O cabelo curto fica-te muito bem.
Estavas quase irreconhecível.
Apeteceu-me agarrar-te, abraçar-te, beijar-te o cabelo...
E sussurrar: "estás linda".
Se há coisa que dispensamos, é tanto ódio e injustiça social, no nosso país e por esse mundo fora.
Até porque o mundo nunca esteve tão perigoso como agora, com tantos ditadores a quererem agarrar-se ao poder...
Não sei quando começaste a fugir de mim.
Percebi que querias mais do que eu te podia dar.
Era demasiado livre para o teu gosto.
Se pudesses, até na cama, colocavas "algemas". E fechavas vezes de mais a porta da rua por dentro e escondias a chave.
Olho para trás e penso que ninguém te disse, mas o amor é outra coisa, pelo menos para mim...
Abril pode ter mais ou menos cravos.
Abril pode cheirar, ou não, a liberdade.
Abril pode ser esperança ou outra coisa qualquer...
Mas por favor, não me falem mais em sonhos de Abril.
Queria sim, mais realidade, mais democracia, mais igualdade.
"Andar por andar", não é coisa para mulheres, por muito que mintam no começo, no meio ou no fim.
Querem sempre mais que um simples "andar". Foi a conclusão daquele jantar bem comido, bem bebido, bem conversado e bem sorrido.
Eram cinco, os amigos que depois do jantar, conseguiam brincar com as suas vidas amorosas arruinadas, depois de passarem a casamento.
Quem terá inventado essa coisa parva?
Passaram por ali, divórcios, filhos, amantes, pensões... segundas mulheres (há quem goste de navegar no erro...), e até num caso, uma terceira.
Felizmente o bom humor reinou, num ambiente solto e livre, provavelmente por não existirem mulheres por perto (as da cozinha estavam escondidas...).
Nunca deixaste de fumar. Nunca deixaste de beber. Nunca deixaste de cantar.
As casas de fado era a tua primeira casa, mesmo que os teus país não o soubessem, pelo menos nos primeiros anos.
Gostei de te ver, vários anos depois. Gostei de te ouvir cantar, porque continuavas a irradiar paixão e emoção, pela canção de Lisboa.
Passaste por mim sorriste e mexeste no meu ombro, enquanto deixavas um "cartão-bilhete", na minha mão.
Percebi os teus cuidados, estávamos todos acasalados na mesa, embora isso não significasse nada para mim. Podemos estar sozinhos, mesmo estando acompanhados...
Não sabias mas eu estava livre para ti...