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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Fomos quase amantes...

Tenho saudades do tempo em que quase fomos amantes.


Houve um período em que tivemos de escolher e... acabámos por seguir o caminho menos incómodo.

Há quem se encontre para satisfazer os seus desejos físicos num motel e há quem prefira encontrar-se antes num restaurante e comer uma refeição bem acompanhado...

Preferimos, uma, duas, três, quatro, cinco vezes... entrar em casas de pasto. Apesar dos nossos olhares e das nossas outras vontades, não quisemos dar o tal outro passo.

Não quisemos quebrar o encanto proporcionado por uma boa conversa, acompanhada de uma boa refeição. Estávamos de tal maneira habituados aquela forma de convívio, menos ardente, mas muito mais aberta, descontraída e alegre, que nunca demos o passo que chamam "seguinte".

Depois apareceu o covid e roubou-nos os restaurantes e as conversas... 

Quando tudo voltou ao chamado "normal", apareceram outras pessoas e perdemos o caminho que era só nosso.

Não te voltei a telefonar, depois de te desculpares com o trabalho e dizeres que depois conversávamos e nunca mais existir o tal "depois".

Mesmo que saiba que a água dos rios não anda para trás, contínuo com saudades do tempo em que quase fomos amantes...


quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Não tenho moedas...


Não sei porquê, mas não quis "comprar-te" os teus segredos.


Disse que não tinha trazido moedas nos bolsos.

Sorriste, a tentar o encantamento do costume, quase a pedir uma nota. Sim, eras lá mulher para moedas...

A custo, fingi-me desencantado.

E lá fiquei sem saber um só segredo teu...


sábado, 11 de outubro de 2025

Bebemos mais para esquecer que para recordar...


Bebemos mais para esquecer que para recordar.


Sempre foi assim.

Normalmente é o amor que nos faz beber para afogar a dor. 

A separação quando amamos a sério, é o pior que nos pode acontecer...

Entre os muitos disparates que fazemos, um dos maiores, é tentar afogar as mágoas nas bebidas fortes..


quarta-feira, 21 de maio de 2025

Estavas à minha espera...


Estavas à minha espera.


Sentada com um livro na mão.

Foi mais tempo do que desejavas.

Mas recebeste-me com um sorriso e quase que agradeceste o atraso, por te ter permitido acabar de ler o romance que trazias há vários dias na mala.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

O mudar simples e o mudar complicado


Mudar de camisa é demasiado fácil, quando comparada com aquelas coisas que chamamos "mudar de vida".


Mudar de namorada ou namorado, depois dos cinquenta, só parece fazer sentido se for com uma pessoa mais fresca, mais arejada, que nos leve para outro lado, qualquer. 

Lugar esse que pode ser apenas a rua detrás...


sábado, 21 de dezembro de 2024

Ninguém te disse, mas o amor é outra coisa...


Não sei quando começaste a fugir de mim.


Ou talvez saiba. 
Era um rapaz distraído. Bastante distraído. Mas não abusemos.

Percebi que querias mais do que eu te podia dar. 

Era demasiado livre para o teu gosto.

Se pudesses, até na cama, colocavas "algemas". E fechavas vezes de mais a porta da rua por dentro e escondias a chave.

Olho para trás e penso que ninguém te disse, mas o amor é outra coisa, pelo menos para mim...


quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Olá Setembro...


O vento é o que recordo do Setembro da minha adolescência, passado rente a um mar cada vez mais vazio de pessoas.



Também me lembro dos dias a encurtarem... na tua companhia.

Deixávamos o mar, dávamos uma volta na companhia da lagoa e depois subiamos na direcção à tua casa. Levávamos as bicicletas à mão, trocávamos beijos apaixonados que tornavam aquela subida interminável...

Deixava-te no cruzamento entre o centro da aldeia e a tua casa.

Via-te ficares cada vez mais longe. Olhavas e a acenavas-me de dez em dez metros...

Éramos felizes e sabíamos.


sábado, 23 de dezembro de 2023

Um livro para o Natal...


Perguntaste-me se ainda gostava de receber livros no Natal.



Disse que sim. Mas não apenas no Natal. Gosto de pensar que o Natal é quando cada um de nós quiser...

Com alguma lata disseste preferir um perfume, que acabara de passar na televisão.

Sorrimos os dois, com a cumplicidade dos amantes.

O mais giro foi que no dia seguinte tivemos a mesma ideia. Eu recebi um livro, tu recebeste um perfume.


domingo, 15 de outubro de 2023

Quando Outubro deixou de ser triste...

 

Outubro durante anos foi o mês mais triste da minha vida.

Não sabia o que havia de fazer com as namoradas de Verão e via-as a escaparem por entre os dedos. A "magia do amor" acabara... 

Eram amores que não resistiam ao frio. Provavelmente o problema era meu.

Até que apareceste tu. Ficaste para lá se Setembro. 

Em Outubro ainda fomos à praia, agasalhados e abraçados.

E depois tínhamos chá quente à nossa espera na velha casa amarela...


domingo, 3 de setembro de 2023

Setembro era diferente...


Setembro era diferente (agora é tudo mais igual).

Não sonho contigo, muito, mas ainda te vejo a correr à minha frente, de vestido leve e esvoaçante. 

Adorava as tuas caretas. 

Acho que gostava de tudo em ti durante o Verão...


quarta-feira, 21 de junho de 2023

o calor e as ilusões...

 

O calor em excesso cansa, chateia, aborrece.



Até o amor fica para depois, quando a frescura chega, de madrugada.

Gosto do mar, mas não dele cheio de gente à sua volta.

Estou a ficar cada vez mais estranho. 

Não sei se pintar o cabelo resolve alguma coisa, me dá os anos que vou perdendo, aqui e ali.

Claro que sei que não resolve nada, mas nunca perdemos a mania de viver de ilusões, pequenas ou grandes...


sábado, 25 de fevereiro de 2023

Combater a Solidão com uma viola...


Finge que trabalha, das nove às cinco.




Mas é mentira, onde de facto trabalha é em casa, para preparar mais uma noitada no bar do Rui, com canções diferentes, para pessoas diferentes.

Está lá das vinte e duas às duas da matina. E depois casa. Gosta do cansaço que sente e de mal se deita na cama, adormecer de seguida, até ao toque do despertador.

É assim há pelo menos doze anos, desde que o seu casamento acabou, quando a mulher preferiu roubar o marido da prima. 

Nunca mais conseguiu ter uma mulher por mais de uma noite.

Escreve muitos poemas sobre essas mulheres, fatais e fatalistas. Mas sabe que nunca mais confiará em nenhuma...


quarta-feira, 23 de novembro de 2022

A Vida a Espaços pode ser Bela... espaços curtos, eu sei...

 

Ontem vi a "Bela da Aldeia".


Tinham passado mais de trinta anos. Curiosamente, continuava bela. a espaços. O meu primo disse que ela estava muito "estragada". Não concordei nada.

Mas eu era de outro mundo, gostava mais de rugas que de operações plásticas.

Olhámo-nos nos olhos por momentos e sorrimos. O homem que a acompanhava devia ser o marido. Também me olhou, mas sem sorrisos.

Depois viajei no tempo... Foi bom reencontrar-nos quando éramos mais inocentes e espontâneos.

A vida a espaços pode ser bela.... espaços curtos, eu sei...


quinta-feira, 20 de outubro de 2022

"Andar por Andar" (não é para elas)...


"Andar por andar", não é coisa para mulheres, por muito que mintam no começo, no meio ou no fim.


Querem sempre mais que um simples "andar". Foi a conclusão daquele jantar bem comido, bem bebido, bem conversado e bem sorrido.

Eram cinco, os amigos que depois do jantar, conseguiam brincar com as suas vidas amorosas arruinadas, depois de passarem a casamento. 

Quem terá inventado essa coisa parva?

Passaram por ali, divórcios, filhos, amantes, pensões... segundas mulheres (há quem goste de navegar no erro...), e até num caso, uma terceira.

Felizmente o bom humor reinou, num ambiente solto e livre, provavelmente por não existirem mulheres por perto (as da cozinha estavam escondidas...).


sábado, 17 de setembro de 2022

As "Cantigas de Bandido" são um Doce para as Mulheres...


Não. Aquilo não era música para os meus ouvidos. Foi por isso que me afastei.


Talvez existisse alguma verdade, na parte de que as mulheres adoravam ouvir boas mentiras, das que lhes  faziam festas ao ego, deixando-as a sorrir e a sonhar. Mas daí a gostarem de ser enganadas e maltratadas... ia um passo quase de gigante.

Sei muito pouco sobre as mulheres, para conseguir explicar alguns porquês. É por isso que dou poucos palpites.

Mas fico a pensar, que talvez sejam mais vulneráveis que nós, e por isso mesmo, se deixem "embalar" com mais facilidade, pelas "cantigas de bandido", quase sempre adocicadas...


quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Escrever a pensar em Ti...


Estava a escrever para, e sobre ti.




Nunca percebi porque razão nunca fomos um casal a sério.

Medo? Não sei...

Talvez achasse que não era vida para mim, ser o homem de uma fadista. Sim, era demasiado independente para ter de esperar por ti no começo da manhã.

E também não gostava de ver tantos homens colados à tua voz, ao teu rosto e ao teu corpo, enquanto cantavas... Talvez por saber que tinhas de ser simpática para eles, porque era bom para o negócio...

Somos tão complicados, mesmo quando a vida pode ser simples...


domingo, 24 de julho de 2022

Encontro Dentro da Noite


Nunca deixaste de fumar. Nunca deixaste de beber. Nunca deixaste de cantar.




As casas de fado era a tua primeira casa, mesmo que os teus país não o soubessem, pelo menos nos primeiros anos.

Gostei de te ver, vários anos depois. Gostei de te ouvir cantar, porque continuavas a irradiar paixão e emoção, pela canção de Lisboa.

Passaste por mim sorriste e mexeste no meu ombro, enquanto deixavas um "cartão-bilhete", na minha mão. 

Percebi os teus cuidados, estávamos todos acasalados na mesa, embora isso não significasse nada para mim. Podemos estar sozinhos, mesmo estando acompanhados...

Não sabias mas eu estava livre para ti...


quinta-feira, 23 de junho de 2022

Ingenuidades e Enganos...


Nos temos em que ainda era um rapaz ingénuo, fingia que o acaso se "fabricava"... Mesmo quando percorria os caminhos do regresso a casa da Carla e fingia surpresa, ao encontrá-la.



Carla que embora já tivesse um "amor proibido", por esta ou aquela razão, sorria de felicidade quando nos encontrávamos e fazia questão que a deixasse à porta de casa.

Naquele tempo não percebia porque razão alimentava as minhas esperanças para qualquer coisa. Mas era óbvio, que me usava...

O curioso, é que só o descobri, muito tempo depois.



quarta-feira, 25 de maio de 2022

Continuava Indeciso...

 

Tinha um saco quase à porta, para entregar a alguém.

 


Entretanto já tinham passado dois anos. Foi por isso que pensou que o tempo tanto tinha de traiçoeiro como de bom conselheiro.

Talvez ela já tivesse mudado de ideias e já não quisesse casar, pelo menos com ele.

Mas ainda não era hoje que ia tocar à campainha, para entregar o saco, que continuava à entrada da casa.


quarta-feira, 13 de abril de 2022

A Canção dos Corpos...


A canção soltava-se do leitor de cedês e espalhava-se pela casa silenciosa, sem perguntar se podia entrar, mesmo no quarto, onde a cama deixava perceber que tinha havido por ali qualquer "terramoto" humano.




Fumava um cigarro à janela da sala e pensava que bom que era fazer sexo sem cedências - à vizinhança e à sociedade, cada vez mais castradora -, enquanto que a amante o fitava, sentada no sofá, quase a convidá-lo para mais uma volta...