Parabéns linda.
Hoje é o teu dia.
cem anos passaram num instante.
"Se tivesse que me descrever, diria que sou uma pessoa à procura de palavras e que às vezes as encontra..." (Dinis Machado)
Maio tem tantas coisas bonitas.
Não é só "andar", é também "sentir".
Sim sentir o Maio a amadurecer...
Abril é liberdade, frescura, beleza, cor...
Os mitos são assim.
Normalmente deixam-nos cedo demais.
E daqui uns tempos descobrimos que nasceste há cem anos...
O cabelo curto fica-te muito bem.
Estavas quase irreconhecível.
Apeteceu-me agarrar-te, abraçar-te, beijar-te o cabelo...
E sussurrar: "estás linda".
Não foi agora que foste embora.
Na época ainda paravas o trânsito em qualquer estrada do mundo.
Desististe de ser "mulher-objecto", de ser "mulher-desejo".
Mas ninguém te roubou ou rouba, o histórico e inesquecível, BB...
Foste embora mas deixas saudades, a quem gosta de sorrisos bonitos e de mulheres atrevidas.
Talvez fosse no "Aconteceu no Oeste". Talvez fosse num outro filme qualquer, menor. Não sei.
Sei que gostava de ti em todos os filmes, mesmo aqueles manhosos.
Ainda bem que não eras muito selectiva...
Outubro durante anos foi o mês mais triste da minha vida.
Não sabia o que havia de fazer com as namoradas de Verão e via-as a escaparem por entre os dedos. A "magia do amor" acabara...
Eram amores que não resistiam ao frio. Provavelmente o problema era meu.
Até que apareceste tu. Ficaste para lá se Setembro.
Em Outubro ainda fomos à praia, agasalhados e abraçados.
E depois tínhamos chá quente à nossa espera na velha casa amarela...
Setembro era diferente (agora é tudo mais igual).
Não sonho contigo, muito, mas ainda te vejo a correr à minha frente, de vestido leve e esvoaçante.
Adorava as tuas caretas.
Acho que gostava de tudo em ti durante o Verão...
Não sei quase nada de Maio.
Não percebo de plantas e de flores.
Sei só que é um mês bonito, cheiroso, agradável.
Sim, em parte, isso basta-me.
Ontem vi a "Bela da Aldeia".
Tinham passado mais de trinta anos. Curiosamente, continuava bela. a espaços. O meu primo disse que ela estava muito "estragada". Não concordei nada.
Mas eu era de outro mundo, gostava mais de rugas que de operações plásticas.
Olhámo-nos nos olhos por momentos e sorrimos. O homem que a acompanhava devia ser o marido. Também me olhou, mas sem sorrisos.
Depois viajei no tempo... Foi bom reencontrar-nos quando éramos mais inocentes e espontâneos.
A vida a espaços pode ser bela.... espaços curtos, eu sei...
Nunca deixaste de fumar. Nunca deixaste de beber. Nunca deixaste de cantar.
As casas de fado era a tua primeira casa, mesmo que os teus país não o soubessem, pelo menos nos primeiros anos.
Gostei de te ver, vários anos depois. Gostei de te ouvir cantar, porque continuavas a irradiar paixão e emoção, pela canção de Lisboa.
Passaste por mim sorriste e mexeste no meu ombro, enquanto deixavas um "cartão-bilhete", na minha mão.
Percebi os teus cuidados, estávamos todos acasalados na mesa, embora isso não significasse nada para mim. Podemos estar sozinhos, mesmo estando acompanhados...
Não sabias mas eu estava livre para ti...
