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sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Um Inverno mais "Cavernoso"...

Este inverno que se aproxima promete ser mais frio e "cavernoso", pelas razões que todos conhecemos, e sentimos...




O curioso é existirem tantos "santinhos" que foram capazes de acreditar na redenção dos humanos. 

Tanta memória curta... Tanta gente esquecida que é nos tempos de guerra e miséria, que os ricos mais enriquecem. O mal dos outros costuma ser sempre a sua "fortuna"...


domingo, 23 de fevereiro de 2020

Raridades...


Quando as pessoas não se sentem confortáveis com a "pele" que lhes tentam colar, por cima da verdadeira, podem "fugir".


Sei que é raro. Mas há mais que um caso, de actrizes que deixaram de o ser, cansadas de tudo o que as rodeava.

A senhora que tive o prazer de conhecer, com o segundo nome da minha querida Margarida, falou-me da inveja e das patifarias que se faziam nos bastidores, por um papel...

Quando ouve falar em solidariedade, esboça sempre o sorriso. Por ser uma coisa que se fala muito e que se pratica tão pouco...

terça-feira, 28 de março de 2017

Quando o Casamento é uma Prisão


O casamento é uma prisão.


Palavra de quem casou uma vez e ainda aguentou três anos de "cárcere".
Dia após dia, perdia mais um metro de liberdade.
Quando dei por mim, para beber uma cerveja com os amigos, tinha de mentir.

Até que um dia olhei-me ao espelho e dei um grito mudo: «CHEGA!»
E chegou.

Tenho tido vários relacionamentos, que  normalmente acabavam quando me começavam a "prender", quando me queriam transformar em mais uma "mobilia" de casa.

Talvez seja um desses casos que não nasceu para casar. 
É por isso que uma vez chegou.

Devo fazer menos sexo do que devia, mas não se pode ter tudo... embora a partir de certa altura do casamento, as dores de cabeça aumentem, e o corpo seja utilizado vezes demais como chantagem...

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Apartamento com Vista para o Sol


O orgulho do nome caiu em desgraça no fim da adolescência, quando começaram a gozar com a parte "da cunha", essa instituição nacional, que os alemães e suecos fingem ser uma invenção e prática dos povos sulistas.



Foi remédio santo. Cresceu e esqueceu o "da cunha", que só usa nas reuniões de famílias com pergaminhos, que sente serem uma coisa "a brincar". Sim, brincar aos ricos falidos, que vivem em apartamentos citadinos mas falam das quintas que nunca conheceram e das casas de verão.

Mesmo assim ela e as amigas continuam com as mãos cheias de aneis, que só não são verdadeiros porque cada vez há mais gatunagem nas ruas...

sábado, 20 de agosto de 2016

A Outra Itália...


O jantar era quase de família, embora estivesse longe dos velhos tempos.


Quando me chamaram a atenção de que estava a falar alto demais, lembrei-me dos meus "amigos italianos", do bom que é falarmos alto e com as mãos e os braços.

Não podia imaginar que fosse tão importante "o politicamente correcto" numa mesa de amigos e familiares, que uma mulher pudesse ficar tão incomodada com os "trogloditas" que falavam alto e ao mesmo tempo. Ainda por cima se chamava Giovanna (faz questão de assinalar que se escreve com dois enes).

Ainda estranhei mais quando ela começou a dizer maravilhas da cidade de Roma, quando se começaram a contar histórias de viagens...

Foi quando me lembrei que existem as itálias que quisermos, conversar é como fazer filmes ou escrever livros, cada um conta o que lhe apetece. 

domingo, 13 de março de 2016

O Número Enigmático


Recebi uma mensagem e respondi com um enigmático, 35.


Foram os dias que ela demorou a dar sinal de vida.

Demorou mais três a telefonar (desta vez com voz), para desmontar o mistério.

E eu disse-lhe a verdade, que fora o tempo que ela demorara a responder ao meu convite para ir ao fim e voltar.

Não se lembrava de nada disso.

Pudera. Há mulheres que comem doses industriais de queijo. E há também mulheres mais lentas que outras...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O Verbo Fingir no Feminino


Nos primeiros tempos fingem-se modernas.


O problema é sempre o que vem depois. Volta-se ao antigamente, querem um compromisso. Afinal não acreditam nas "amizades coloridas"...

Tudo é posto em causa. Descobrem que querem um homem a tempo inteiro e não apenas nas horas mortas.
Falam de sinceridade, de fidelidade e outras coisas que rimam com verdade.

Quando já somos gente viajada, não nos incomodamos muito. 

Estamos fartos de saber que a mentira sempre foi meio caminho para qualquer coisa. de parte a parte.

Só elas fingem não saber que a partir dos trinta é proibido falar em inocência.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Ambições e Enganos


Pensava que tinha acontecido uma coisa e soube hoje que fora exactamente o contrário.


Depois da separação, ela andou um pouco à nora até aparecer um fulano vulgar, que a levou à certa. Pensava que ele devia ter dinheiro (e ele dizia que sim...), mas vim a descobrir que passou o tempo todo a viver à custa da mulher que fingia amar e a quem fez uma coisa do teatro, pediu-a em casamento, de joelhos, numa sessão pública (talvez para ser mais convincente), mas até os anéis de noivado foram pagos por ela (ele dizia que tinha as contas congeladas por o divórcio ainda estar a decorrer...).

Ela parecia-me esperta e pensei que estava a tentar ficar bem, até por continuar desempregada e saber que o subsídio não ia durar sempre...

Mas quando a história acabou, ficou com menos dinheiro que no seu início (até lhe pagou jantares e as flores que ele lhe oferecia), ou seja foi levada à certa.

Ele deve andar por aí, a fazer a corte a mais alguma mulher próxima do desespero, a quem oferece o ombro e mais qualquer coisa.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Nem Todas Eram de Plástico


Muitas quase que tinham selo do embrulho.


Não eram todas. 

Mesmo as que eram de plástico, não eram marionetes. Era apenas uma profissão, uma questão de sobrevivência.

Olhava-as e sabia que sofriam muito mais que nós, porque a beleza feminina continua a ter muito que se lhe diga.

Pelas conversas que ia escutando, percebia que o que há mais por ai são homens que olham para mulheres como meros objectos de satisfação visual. Normalmente andam com os bolsos cheios de notas.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Partiste sem te Despedir


Normalmente nós homens somos mais de partir sem nos despedirmos. Somos mais cobardes, amamos com mais distanciamento.



Só soube que tinhas partido dois dias depois, quando percebi que o teu quarto estava com os estores corridos e ninguém atendia o telefone fixo.

Contaram-me depois que te viram na estação a apanhares o comboio...

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Escolher a Rua Como Morada


Nunca é uma escolha voluntária, é quanto muito um voluntariado forçado...
Mas o que é facto, é que o clube dos "sem abrigo", é cada vez mais numeroso nas ruas de Lisboa.
Grande parte das pessoas com quem nos cruzamos têm idade avançada e são na maioria, homens, sem presente, sem futuro... e que fingem não ter passado.
Os mais jovens, são quase todos toxicodependentes. Sobrevivem com uma única preocupação, arranjar dinheiro para comprar um quarto de grama do "elixir da falsa felicidade".
Talvez sejam a melhor caricatura da sociedade actual, cada vez mais egoísta, individualista e solitária...
Às vezes pergunto: «O que pensarão as suas famílias, desta escolha? Aprovam? São indiferentes? Fingem não saber de nada?»
É difícil concluir o que quer que seja.
O Estado e muitas instituições de carácter social lembram-se deles apenas no Natal.
Eles também se devem lembrar bastante desta época, porque além de lhe oferecerem banho, roupa, comida... levam com toneladas de hipocrisia em cima.

Sei que este texto não é de Primavera, é mais de Outono ou Inverno... a culpa foi da fotografia de Arnaldo Sousa, do homem deitado no parapeito das escadas do Teatro D. Maria II, no Rossio...