
Nunca é uma escolha voluntária, é quanto muito um voluntariado forçado...
Mas o que é facto, é que o clube dos "sem abrigo", é cada vez mais numeroso nas ruas de Lisboa.
Grande parte das pessoas com quem nos cruzamos têm idade avançada e são na maioria, homens, sem presente, sem futuro... e que fingem não ter passado.
Os mais jovens, são quase todos toxicodependentes. Sobrevivem com uma única preocupação, arranjar dinheiro para comprar um quarto de grama do "elixir da falsa felicidade".
Talvez sejam a melhor caricatura da sociedade actual, cada vez mais egoísta, individualista e solitária...
Às vezes pergunto: «O que pensarão as suas famílias, desta escolha? Aprovam? São indiferentes? Fingem não saber de nada?»
É difícil concluir o que quer que seja.
O Estado e muitas instituições de carácter social lembram-se deles apenas no Natal.
Eles também se devem lembrar bastante desta época, porque além de lhe oferecerem banho, roupa, comida... levam com toneladas de hipocrisia em cima.
Sei que este texto não é de Primavera, é mais de Outono ou Inverno... a culpa foi da fotografia de Arnaldo Sousa, do homem deitado no parapeito das escadas do Teatro D. Maria II, no Rossio...