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sábado, 25 de fevereiro de 2023

Combater a Solidão com uma viola...


Finge que trabalha, das nove às cinco.




Mas é mentira, onde de facto trabalha é em casa, para preparar mais uma noitada no bar do Rui, com canções diferentes, para pessoas diferentes.

Está lá das vinte e duas às duas da matina. E depois casa. Gosta do cansaço que sente e de mal se deita na cama, adormecer de seguida, até ao toque do despertador.

É assim há pelo menos doze anos, desde que o seu casamento acabou, quando a mulher preferiu roubar o marido da prima. 

Nunca mais conseguiu ter uma mulher por mais de uma noite.

Escreve muitos poemas sobre essas mulheres, fatais e fatalistas. Mas sabe que nunca mais confiará em nenhuma...


sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Quase Nada para Dizer...


As ruas continuam frias e desertas, 



os candeeiros são reflexos de solidão...

A estação estava deserta. 


Eu? Fumei um cigarro antes de apanhar o último comboio...


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

A Nota na Mesa de Cabeceira...


Espero nunca chegar a tanto.


Antes de deixar o teu quarto, colocar uma nota na mesa de cabeceira.

Mas às vezes bem merecias. O que devia ser prazer, parece ser fardo. 

Talvez precises de um pires de tremoços ou pevides e depois a nota, que fazia parte das histórias do Juvenal e era sinal de adeus. 

Sim, se não sabes ficas a saber: uma nota de dinheiros, significa não voltar mais...

segunda-feira, 9 de maio de 2016

O Álcool Dá Sempre Jeito, em Todas as Idades...


Não são só os adolescentes que precisam de utilizar o álcool como principal elemento de descontracção. 


Foi por isso que desculpei a tentativa de beberes mais que a conta, para conseguires enfiar-te na cama comigo.

Quando te disse que te preferia sóbria, sorriste quase sem jeito.

Só não estava à espera que me contasses muito mais que queria saber da tua vida. Em vez de ficar mais descontraído, senti-me estranho, quando disseste que há catorze meses que não estavas sozinha com um homem.

Fico a pensar que já não tenho idade para histórias difíceis, ou pelo menos finjo...

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Dar de Beber à Dor


Bebias mais do que eu, muito mais.


Como a maior parte dos homens, não percebi logo aquela necessidade de dar de beber à dor.

Distracções que às vezes se revelam fatais...

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A Beleza e o Mistério da Noite


Esperava-te quase submerso no meio do nevoeiro, mas quando te via, aparecia, porque sabia que tinhas medo das surpresas que apareciam a cavalo da noite.


Durante anos fiz aquele caminho solitário, pois raramente me cruzava com quem quer que fosse.

Mas gostava de andar dentro da noite, de dizer olá aos candeeiros e de sonhar de olhos abertos.

Queria muito fazer um filme nocturno... com uma mulher como tu e também com bandidos, daqueles que usam armas de plástico...

Às vezes penso em ti, talvez por não saber em que Cidade habitas, que ruas percorres e etc.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

E Fevereiro...



Gostei que me mostrasses as pernas, gostei de pensar que era um convite para ir contigo ao cinema e continuar a teu lado, pela noite dentro...

sábado, 14 de agosto de 2010

Tua Voz e Teu Corpo Quente



Há muito que não me acontecia, ouvir alguém cantar e começar a pensar noutras músicas.

Sei apenas que quando dei por mim estava a despir-te.

Só não sei de onde apareceu o teu cigarro...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Depois do Amor ou de Outra Coisa Qualquer


É sempre estranho, o depois,
ver-te assim, quase abandonada,
sem dizeres nada...
Também nem sempre sei o que te dizer.
Era mais fácil deixar uma nota na mesa da cabeceira,
pagar um serviço.
Mas e a mim, quem me paga?
Afinal de contas, usamo-nos mutuamente.
Um dia perguntaste-me se estava arrependido.
Disse-te que não, luto por nunca me arrepender do que faço.
Mesmo dos disparates...

domingo, 20 de abril de 2008

Olhar Para Trás Para Quê?

Não olho muito para trás, porque não há muito para dizer.
Não me recordo de existir aos vinte, devia ser completamente invisível. Os óculos não ajudavam muito, até porque não existiam os modelitos de hoje todos sofisticados, quase à medida do nosso rosto, que até são usados por quem não tem falta de vista.
Aos trinta continuava a ser um putozeco, com uma vivência peculiar da vida. Conhecia mais parques de campismo e residenciais de quinta categoria nas férias, que restaurantes ou hotéis com algum luxo e maneirismo.
Não tinha amigos com carrões, vivendas ou cartões de livre acesso nas noites lisboetas.
Só uma noite de Agosto, quando estava tudo de férias, menos eu, entrei no Salão Moderno e dancei com a tia do Alfredo, um tango apertado. Ele nunca soube. Nessas férias também me aventurei sozinho pelo Bairro Alto e toquei à porta do “Frágil”. A senhora de peso e mais tarde abraços, abriu-me a porta e deixou-me entrar, coisa rara no nosso grupo “pé de ténis”. Não percebi porquê. Talvez para deleite das bichas solitárias, que tinham os olhos à solta...
Era tudo tão vulgar, tinha namoradas, daquelas que não paravam o trânsito, mas que iam dando para os gastos...

Depois?

De repente tinha quarenta anos, era casado, tinha um filho... já quase não vestia calças de ganga, tinha uma colecção de gravatas e ternos considerável, porque tinha um emprego, que me obrigava a ser o que pensava que não era. Havia qualquer coisa que deixara de contar, parece que não memorizara este tempo, que me ofereceu uma vida normal, com casa, mulher, filho, carro, emprego, como se não fosse nada disso que eu quisesse da vida...

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Gosto da Noite


Gosto da noite, porque não tem sol, é sempre mais fresca e escura,
Gosto da noite, porque tem poucas pessoas nas ruas e é mais silenciosa,
Gosto da noite, porque quase que não se mexe, é mais calma,
Gosto da noite, porque as mulheres têm os olhos mais brilhantes e o corpo mais roliço,
Gosto da noite, porque gosto da luminosidade dos candeeiros,
Gosto da noite, porque sim...
A fotografia de Alfama é de Eduardo Gageiro