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sábado, 19 de março de 2022

Impotência Diária...


«Já abriu mais um hotel para cães. E este é mesmo de cinco estrelas.»



A mulher dizia isto com um orgulho desmedido. Talvez até tivesse lá dentro "uma escola", onde até os quisessem obrigar a falar... esquecida que o melhor que eles tinham era serem mesmo bons ouvintes e limitarem-se a rosnar, quando a "mostarda" lhe chegava ao faro...

Olhava para a cadelita, que tinha vestida por cima do pelo uma espécie de saia cor de rosa, com folhos e um laçarote na cabeça para fazer "pandan", com um misto de emoções.

Não sabia se devia rir ou chorar, farto de saber que a estupidez humana raramente tem limites...


sábado, 26 de outubro de 2019

Um "Postal Pedido"...


Escrevi um postal, coisa que não fazia há séculos.


Foi quase um "postal pedido", mas mesmo assim, gostei de escrever e de o colocar no correio.

O mundo mudou tanto, finge-se que é tudo mais fácil, mas é só mais um dos muitos logros deste tempo mentiroso.


sábado, 27 de outubro de 2018

Há Mulheres Assim...


Não partilhava da mesma ideia do Orlando, mesmo não sendo um purista ou um poeta, capaz de dizer que todas as mulheres eram bonitas...



Também sei que a partir de certa idade, praticamos menos o "sexo pelo sexo". E sim, ela estava longe de ser o meu tipo. 

O pior era querer ser o que não era. Mas dai a ser uma "máquina de perder tesão"...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O Verbo Fingir no Feminino


Nos primeiros tempos fingem-se modernas.


O problema é sempre o que vem depois. Volta-se ao antigamente, querem um compromisso. Afinal não acreditam nas "amizades coloridas"...

Tudo é posto em causa. Descobrem que querem um homem a tempo inteiro e não apenas nas horas mortas.
Falam de sinceridade, de fidelidade e outras coisas que rimam com verdade.

Quando já somos gente viajada, não nos incomodamos muito. 

Estamos fartos de saber que a mentira sempre foi meio caminho para qualquer coisa. de parte a parte.

Só elas fingem não saber que a partir dos trinta é proibido falar em inocência.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

«Não. Não tenho carro.»


Menti. Gosto de mentir.


Disse à moçoila loura que não tinha carro, depois de uma tentativa frustrada de "engate".
Talvez sejam resquícios de uma educação machista, mas não gosto de mulheres descaradas, capazes de subirem a saia e baixarem o decote enquanto nos tentam seduzir.

Para ela depois me ver desaparecer  na viatura, ainda por cima bem acompanhado. Talvez tenha pensado que o carro era dela. Ou então ficou a saber que quando quero, sou mentiroso.

Não tenho pachorra para gente interesseira. Nunca tive. Agora a coisa está pior, está no negativo.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Não me Apeteceu Responder-te


O sms era quase doce, nem parecia teu.


Acho que foi por isso que não te respondi.
Não és a única "croma" difícil...

Sei que às vezes as coisas acabam mal começam.  Pode parecer estranho, mas é o que acontece a todas as coisas que vêm de gente pouco normalizada.

Mesmo assim acho que não devemos mudar. 
Mudar para quê?

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Não Queremos as Mesmas Coisas


É óbvio que não queremos as mesmas coisas.


Já percebi que tens uma vida demasiado certinha. Ou então disfarças bem.

Embora já não esteja na idade da maluquice, não sou de ficar depois do jantar a ver a telenovela. Sou mais de fingir que vou passear o cão, um sujeito invisível que é capaz de me levar para lugares do caraças.

Talvez sejas demasiado "antiga" para o meu gosto. Ou então, simplesmente não te apetece sair do teu canto quente...

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Tu e o Lenço


Vi uma mulher ao volante com um lenço na cabeça e um sorriso luminoso.


Pensei logo em ti, pelo teu sorriso e pela forma como colocavas o lenço da cabeça, que te dava sempre um ar cheio de graça.

Perguntava-te porque não usavas mais vezes um lenço a segurar-te os cabelos e te desculpavas-te, que normalmente não andavas com o cabelo meio deslavado e feio...

Percebi que não te achavas nada de especial com o lenço. 

Mas eu gostava de ti desta e de muitas maneiras...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A Água lá Fora



A água caia lá fora.

Eu olhava a janela, como fazia nos tempos de criança, com o dedo a desenhar riscos no vidro.

Fui interrompido pela tua voz de cantadeira, que aproveitou a música da chuva como fundo: «passas-me a toalha?»

Respondi com um sorriso: «passo.»


quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Porquê?


Porque foi que olhaste para o lado?
Não me querias ver?

A rua é nossa...
Claro, o olhar também.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O Teu Lenço


Pois, foi isso...
há anos que não via uma mulher de lenço na cabeça,
e como te fica bem...
Desculpaste-te que não tinhas lavado a cabeça, e também com o vento, claro.
Eu apenas disse: «obrigado vento camarada.»
E tu sorriste...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Aproveitar o Sol


Ela nunca entrou num solário.
Sente pavor àquela coisa, que parece quase uma urna.
Aproveita, sim, todos os raios de sol que aparecem, mesmo nestes dias de Inverno.
Vejo-a quase sempre na varanda da casa, mas às vezes também a encontro com uma cadeira numa mão e um livro noutra, em direcção ao oceano...
Ao contrário de mim, gosta de ter sempre uma cor, gosta sempre de cheirar a Verão...

domingo, 20 de abril de 2008

Olhar Para Trás Para Quê?

Não olho muito para trás, porque não há muito para dizer.
Não me recordo de existir aos vinte, devia ser completamente invisível. Os óculos não ajudavam muito, até porque não existiam os modelitos de hoje todos sofisticados, quase à medida do nosso rosto, que até são usados por quem não tem falta de vista.
Aos trinta continuava a ser um putozeco, com uma vivência peculiar da vida. Conhecia mais parques de campismo e residenciais de quinta categoria nas férias, que restaurantes ou hotéis com algum luxo e maneirismo.
Não tinha amigos com carrões, vivendas ou cartões de livre acesso nas noites lisboetas.
Só uma noite de Agosto, quando estava tudo de férias, menos eu, entrei no Salão Moderno e dancei com a tia do Alfredo, um tango apertado. Ele nunca soube. Nessas férias também me aventurei sozinho pelo Bairro Alto e toquei à porta do “Frágil”. A senhora de peso e mais tarde abraços, abriu-me a porta e deixou-me entrar, coisa rara no nosso grupo “pé de ténis”. Não percebi porquê. Talvez para deleite das bichas solitárias, que tinham os olhos à solta...
Era tudo tão vulgar, tinha namoradas, daquelas que não paravam o trânsito, mas que iam dando para os gastos...

Depois?

De repente tinha quarenta anos, era casado, tinha um filho... já quase não vestia calças de ganga, tinha uma colecção de gravatas e ternos considerável, porque tinha um emprego, que me obrigava a ser o que pensava que não era. Havia qualquer coisa que deixara de contar, parece que não memorizara este tempo, que me ofereceu uma vida normal, com casa, mulher, filho, carro, emprego, como se não fosse nada disso que eu quisesse da vida...

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Desisti de Ir ao Barbeiro



Nunca cortei a barba no barbeiro.
Não sei se foi só medo da navalha,
sempre bem afiada...

Provavelmente houve mais qualquer coisa...

Não sei bem o quê...
Mas não gostei da ideia de me cortarem todos os pelos,
desde os olhos até ao fim do pescoço.

Pancadas!

Sou um rapaz de pancadas...
A foto foi emprestada pelo Eduardo Gageiro.