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quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Foi tudo tão simples...


Foi tudo tão simples.


Sim, o mundo era muito mais complicado que nós.

Transportavas um polvo que compraste directamente ao pescador da nossa rua, amigo do teu pai.

Olhámos um para o outro, falei da coisa esquisita que transportavas no saco, sorriste e falaste da coisa deliciosa, que a tua avó fazia no forno.

Até as nossas palavras eram simples, sem quererem chegar a lado nenhum.

Chegámos à esquina e despedimo-nos, sem sabermos um nome ou um lugar onde seria possível, continuar aquela conversa que parecia distante dos amores...


quarta-feira, 15 de maio de 2024

As ruas estão mais leves

 

As ruas estão mais leves.


As pessoas gostam de andar mais leves.

E ainda bem...



quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

O vendedor de castanhas da esquina

 

As castanhas continuam a saber bem com o frio.


Mesmo que as maquinetas sejam diferentes e já não se embrulhem as castanhas, com as folhas das desaparecidas páginas amarelas, é como se andasse atrás no tempo. 

E nem o fumo é desagradável...


quinta-feira, 23 de junho de 2022

Ingenuidades e Enganos...


Nos temos em que ainda era um rapaz ingénuo, fingia que o acaso se "fabricava"... Mesmo quando percorria os caminhos do regresso a casa da Carla e fingia surpresa, ao encontrá-la.



Carla que embora já tivesse um "amor proibido", por esta ou aquela razão, sorria de felicidade quando nos encontrávamos e fazia questão que a deixasse à porta de casa.

Naquele tempo não percebia porque razão alimentava as minhas esperanças para qualquer coisa. Mas era óbvio, que me usava...

O curioso, é que só o descobri, muito tempo depois.



sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Passamos a vida a Espreitar...

 

Continuamos quase fechados.



Espreitamos mais vezes que o costume, à janela.

O medo continua à solta, vestido de vírus...


sexta-feira, 19 de novembro de 2021

O Silêncio voltou às Ruas...


Estamos em Novembro e o silêncio está a voltar novamente às ruas, para desânimo dos comerciantes.

Pensámos ir finalmente a Veneza.



Sabemos que as ruas voltaram a estar quase limpas de turistas. 

Claro que a luz de Novembro não é a mesma de Abril ou Maio, mas não se pode ter tudo.


quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Laura, a Mulher que Pinta as ruas do Bairro de Preto


A conversa era absurda, como são tantas conversas entre homens sobre as mulheres.



Falava-se sobre a Laura, a viúva mais jovem do bairro, que ainda não ultrapassara os quarenta.

Um deles disse que era uma tristeza as mulheres enviuvarem demasiado cedo. Outro nem por isso. Só via vantagens nestas mulheres temporariamente sós, por continuarem com o fogo no corpo. Acrescentando que era por isso que era bombeiro.

Percebemos todos que quis ter graça, mas só conseguiu ser ordinário. 

Sabíamos que a Laura precisava de muito mais que um desgraçado de um bombeiro, que nem sequer conseguia ser engraçado, numa mesa de café...


sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Uma Noite só Para Ouvir...


Era uma rapariga complicada, a pintora da Rua 13. 




Sempre que passo na rua que tem um nome de pessoa mas que sempre foi conhecida pela malta por este número da sorte e do azar, lembro-me dela.

Muito nervosa e arisca, só falava sobre livros e artes. Caminhava para os trinta e não se lhe conhecia um relacionamento, masculino ou feminino.

Um dia calhou beber mais que a conta e escolher-me como confidente.

Fiquei a saber quem era mãe (à época uma jornalista conhecida, que ela detestava, e foi por isso que aos 14 anos foi viver com o pai, publicitário e artista plástico quando lhe apetecia).

Não se arrepende nem um pouco da decisão. Detestava viver longe do pai e não aceitava que a mãe trouxesse tantos homens diferentes para dentro do seu quarto, mesmo que apenas conhecesse a voz da maioria. 

O pai não era um homem de afectos, mas era bom e inteligente. Ajudou-a a crescer, levava-a a museus e também visitavam ateliers de amigos pintores. Mas o melhor de tudo, era a pequena casa ser só dos dois. Enquanto viveram juntos, nunca levou para o seu quarto uma mulher.

Apeteceu-me dizer-lhe que somos diferentes e temos necessidades diferentes, mas aquela noite era só para ouvir...


quinta-feira, 20 de maio de 2021

Gosto de te ver na Varanda...

 

Não passo pela tua rua, de propósito.

O caminho é quase obrigatório, por que é o mais perto.



Mas gosto de te ver na varanda.

O dia corre logo melhor.

Não precisamos de palavras. Basta a troca de olhares.

E sim, é pouco, mas só isso, faz-me feliz...


quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Quando os Animais Ocupam o nosso Lugar...


Há mulheres que são de tal forma carinhosas com os animais, que às vezes nos apetece ter "vida de cão" ou de "gato"...


Natália é uma dessas mulheres. Um de nós (pelo menos...) deixou-a de tal maneira desiludida, que não troca o seu cão, por nenhum de nós...

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

«A rua fica mais bonita quando ela passa.»


«A rua fica mais bonita quando ela passa.»


Esta frase escrita não tem o mesmo encanto de quando é dita por um velho balzaquiano, solteirão por acaso e namoradeiro por vocação, quando assiste à passagem de uma jovem, sempre bem "abonecada".

O Carlos Alberto gosta de mulheres, especialmente das bonitas, dos 16 aos 70, menos e mais que isso não lhe merecem atenção, por serem mulheres a menos e mulheres a mais (a expressão é dele...).


sexta-feira, 29 de junho de 2018

Vale, Vale...


Agora já não vale a pena, disse ela...


Claro que vale sempre a pena, quando continuamos a gostar das pessoas e dos lugares.

A história de que não devemos voltar aos lugares onde fomos felizes é uma das maiores balelas que se vendem por aí.

Claro que quem gosta de comprar coisas, mesmo em "lojas" de gosto e ar duvidoso, é mais facilmente levado ao engano...

Pois, mas há ainda quem passe a vida a ser enganado, e continue militante...

domingo, 29 de abril de 2018

As Voltas que a Vida Dá...


A vida dá sempre mais voltas que as que imaginamos.


Uma dezena de anos depois voltámos a encontrar-nos, no mesmo café que frequentámos. Não dizemos uma palavra, olhámos-nos com ligeireza e sem mostrar surpresas.

Pela companhia percebi que a vida te tinha dado um divórcio e um companheiro novo (apenas no teu uso, pois aparentava mais idade que o Daniel...), com pouco cabelo e alguma displicência no vestir. Tu pelo contrário, mantinhas a elegância habitual.

É bom quando não há dramas nem olhares mortiços nos reencontros. Deixámos de nos ver porque quisémos, bastou evitarmos algumas ruas e cafés, por uns tempos...

segunda-feira, 29 de maio de 2017

O Gosto de Sair Para a Rua Sozinha...


Não me incomodava por aí além essa sua mania pouco feminina de andar sozinha pela rua.


Mas era estranho o seu gosto de sair de casa e dizer que ia dar uma volta pelo mundo...

Chamava-lhe vagabunda e ela sorria. Outras vezes chamava-me e pedia-me para colar o meu corpo ao dela e dizer que a amava.

E depois partia...

Hoje seria uma maluquice muito mais perigosa, por que fomos perdendo as ruas...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A Sexta Mulher


Conhecia o homem de vista mas estava longe de imaginar que já tinha casado cinco vezes e que se preparava para o sexto, com a mulher que estava numa mesa afastada e era o centro das atenções.


No bairro todos o tratavam por "cabrãozinho", davam-lhe palmadinhas nas costas enquanto lhe contavam anedotas do piorio sobre cornos.

Ele? Ria com gosto.

Eugénio conhecia-o desde sempre e há muito que percebera que ele era um cabrão militante. Por saber que as cinco mulheres o tinham traído com amigos, dizia que ele até os devia convidar para entrarem no quarto (entre muitas ordinarices). Foi por que esfregou o bigode e disse que a sexta era para ele.

Foi risota geral.

A "sexta" mulher continuava serenamente a aproveitar o Sol de Janeiro, longe de imaginar, que até já tinha um candidato a amante, sem sequer ser ouvida ou achada.

sábado, 15 de outubro de 2016

Às Vezes Apetece-nos Fugir, mas não Conseguimos...


Às vezes queremos fugir, mas não conseguimos...


Foi o que me aconteceu quando te vi sentada na esplanada, a carpir a solidão dos quarenta ou outra coisa qualquer. 

A última vez que conversámos ficámos assim para o chateado. Pelo menos nunca mais telefonaste ou fizeste-te aparecida nas ruas que percorriamos.

Acho que queria evitar qualquer cena triste, qualquer provocação, ou até agressão.

Nós humanos somos mesmo esquisitos. Ou estúpidos, parece-me que fica melhor.

Mas ainda bem que não mudei de passeio, porque assim que me viste sorriste, não sei de quê, mas era de qualquer coisa boa. E não da nossa última conversa. Acabei por beber o café na tua mesa. Não falei muito mas ouvi bastante. Precisavas muito de falar, de dizer mal de tudo e de todos (desta vez escapei...).

O mais estranho foi comportares-te como se nunca nos tivéssemos chateado, como se estivéssemos ali no dia anterior, com a mesma conversa de "partir isto tudo".

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O Sol de Outono


O Sol de Outono ainda é capaz de nos aquecer o coração, se estivermos no lugar certo, à hora certa.


Só percebi que eras quase bonita, quando baixaste a guarda que te protegia do Sol. A tua mão cheia de anéis substituía os óculos escuros.

Continuei a andar e entrei no café. Seguiste-me os passos e não foste para muito longe nem ficaste de costas.

Trocámos olhares distraídos. Percebi que os teus olhos eram claros e estavas cada vez menos distante.

Tinha prometido a mim mesmo que não metia conversa com ninguém num café. Isso era coisa do século passado.

Infelizmente também deixara de ser permitido fumar nos lugares por onde me perdia. Foi por isso que nunca mais andei com uma caixa de fósforos no bolso. Tu devias fumar. Não sei porquê, mas descobri em ti algo que me dizia que eras uma fumadora.

Ainda peguei numa moeda, mas faltou-me a coragem para jogar "cara ou coroa"...

domingo, 31 de maio de 2015

A Matreirice do teu Olhar


Tanta matreirice nesse olhar quente...



Fui disfarçando, fingindo alguma indiferença. Mas quando te deixei à porta de casa não resisti e puxei-te para mim e tentei provar-te a boca.

Fugiste e sobrou-me o pescoço que lambi, quase desolado. Sorriste-me agarrada às minhas mãos. Quase a dizer que quem manda és tu...

Eu sei, as mulheres mandam sempre, mesmo quando dizem não e quase que entram dentro de nós... 

Da próxima vez que nos encontrarmos vou-te dizer que somos velhos demais para sermos namorados, só nos resta mesmo ser amantes.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A Mulher da Mesa Número Sete


Sentas-te na mesma mesa, sempre de livro aberto, mas com o olhar distante, muito para lá da janela grande, com vista para o desfile diário da rua movimentada.


Nunca falamos, nem com um simples cumprimento de cortesia. Mas quando nos olhamos, paramos mais que um segundo, e tentamos descobrir algo mais de nós, dentro do olhar. Passados os dois segundos desistimos e voltamos para a nossa tarefa, de ler e de escrever.

Aposto que quando ela me vê escrever, pensa que estou a escrever sobre ela. E às vezes é, como agora...

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Podia ser um Espelho


Um grupo de mulheres jovens, é sempre diferente de um de rapazolas.



A primeira diferença é estética. Nós rapazes normalmente somos demasiado distraídos para estarmos a seduzir minuto sim minuto sim.

Elas estão sempre em pose, sempre em imitação, sempre ao espelho...