sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Aproveitar o Sol


Ela nunca entrou num solário.
Sente pavor àquela coisa, que parece quase uma urna.
Aproveita, sim, todos os raios de sol que aparecem, mesmo nestes dias de Inverno.
Vejo-a quase sempre na varanda da casa, mas às vezes também a encontro com uma cadeira numa mão e um livro noutra, em direcção ao oceano...
Ao contrário de mim, gosta de ter sempre uma cor, gosta sempre de cheirar a Verão...

sábado, 23 de janeiro de 2010

Olhei-te e Tu Escondeste-te


Não sei o que senti, quando te vi virares-me as costas.
Foi algo que pairou entre a desilusão e de tristeza.
Fui bebendo aqui e ali, até fazer ésses e dar encontrões a conhecidos e desconhecidos.
Um deles não gostou e quis bater-me. Não sei porquê, mas escapei.
E fui mesmo ordinário.
Sou o que se chama um tipo com "mau vinho"...
O mais inquietante é que fui acordado pela tua voz, ligaste-me,
querias saber como estava...
Disse: «com sono», e desliguei o telefone...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Ai Saudades

Ai Saudades...
Saudades do teu corpo leve como o tempo,
dos campos secos e brilhantes, onde corremos,
quase até ao infinito e
que contrastam com todo este mofo invernoso,
que sabe-se lá porquê, tem o poder de entrar dentro de nós
sem pedir licença...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Depois do Amor ou de Outra Coisa Qualquer


É sempre estranho, o depois,
ver-te assim, quase abandonada,
sem dizeres nada...
Também nem sempre sei o que te dizer.
Era mais fácil deixar uma nota na mesa da cabeceira,
pagar um serviço.
Mas e a mim, quem me paga?
Afinal de contas, usamo-nos mutuamente.
Um dia perguntaste-me se estava arrependido.
Disse-te que não, luto por nunca me arrepender do que faço.
Mesmo dos disparates...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Rainha do Oceano


Os jornais falam hoje de reis e de Espanha.
Eu prefiro a minha Rainha...
que apesar de "burra", adorava ler um bom romance,
uma peça de teatro,
e claro um poema...

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A Vida Amarga


A vida amarga,
não foi tua escolha,
muito menos a rua que te acolhe,
os lençóis de papelão,
ou os filhos que não conheces
e não te amam...
a vida amarga-te,
principalmente no Inverno
que te obriga a beber mais um trago
para esqueceres as dores nos ossos
e esse mal crónico que te arrefece o coração.

domingo, 11 de outubro de 2009

Surpresa Eleitoral


Enquanto esperava à porta da escola, estava longe de pensar que ia ter uma surpresa na mesa de voto.
Estavas ali sentada, a folhear a lista dos eleitores, seguindo as ordens do "chefe de mesa".
Não sabia que eras ligada à política. Provavelmente andaste por aí, pelas ruas , com uma bandeira e a distribuir papeis.
Olhei-te a pores uma cruz na lista onde estava o meu nome.
Ficaste em vantagem, deixei de ser anónimo.

Antes de partir, desejei um bom dia a todos, com os olhos cravados em ti.

domingo, 20 de setembro de 2009

Ver-te Sorrir de Manhã Torna os Dias Mais Felizes


Ver-te sorrir de manhã, enquanto bebo um café e escrevo notas em papel de guardanapo, faz com a viagem para o trabalho seja mais rápida e leve.

Vou mais longe, não devias ter folgas matinais de segunda a sexta. Não duvides que sem ti o Café perde a frescura e a beleza.

domingo, 16 de agosto de 2009

Querias Matar a Sede


Quando entrei percebi, querias matar a sede...
O corpo é assim, quando se lembra das voltas que dá, com e sem cambalhotas...
Esperaste-me, querias muito que fosse eu a dar-te um copo de água...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

O Postal do Sul


Pensava que já ninguém escrevia postais. Foi por isso que quase abri a boca de espanto quando recebi o teu postal.

Gostei das palavras e do cheiro que trazia impregnado. Estava lá o teu corpo e o mar...

terça-feira, 14 de julho de 2009

O Verão Divide-nos Sempre


Eu fujo para a sombra tu foges para o Sol...
Tu corres com a tolha e o bikini atrás do castanho,
eu fico-me com o branco de quem não gosta de mudar de pele...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Só Tu...


Só tu é que ainda és capaz de me fazer perder o último comboio.
Só não percebi porque razão ainda não perdeste a mania de olhar para o chão. Moedas e notas já não há, e não te vale de nada esconderes esses olhos lindos...