sábado, 28 de fevereiro de 2009

Era Mentira...


Tive um sonho terrível.

De repente sai para a rua e não descobri nenhum veiculo motorizado. Além dos eléctricos, apenas passavam bicicletas na minha rua...

Sorri e sentei-me nas escadas da entrada da casa.

Portugal agora era uma espécie de China. Até havia uns "táxis" a pedal.
O petróleo não só estava a preços proibitivos, como a sua venda era proibida.
O nosso país, finalmente, resolvera assumir a sua costela alternativa, tinha tudo o que os outros não tinham nas europas...

Claro que depois acordei e percebi que continuavamos a ser os "seguidistas" do costume.

Não é que quisesse viver na "china", mas sabia-me bem respirar numa cidade quase sem carros...

sábado, 31 de janeiro de 2009

Quase que Danço na Chuva


Como gosto deste tempo molhado!

Olham-me como se fosse um maluquinho, por me verem apenas de gabardine e com a boina impermeável, que herdei do avô Eduardo, a sorrir para o céu cinzento.

Fogem de mim, no metro e no autocarro, com medo das gotas de água que ficam guardadas quase nos bolsos da gabardine.

Chapéus de chuva? Não obrigado. Nunca gostei de cogumelos...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Uma Ilha Sabia Bem Neste Tempo


Esta altura cansa-me.

Há confusão em todo o lado. Nas lojas, nos cafés, nas estradas, nas ruas.

Se fosse um rapaz afortunado, procurava uma ilha quase sem gente, para esquecer esta febre doentia, este forçar a gastar dinheiro em ninharias.
Não é pela praia ou pelo calor. É apenas pelo silêncio e pela paz.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Tanto Chapéu!


O Vasco sabia como irritar o "Evaristo".

E nós, pergunto, como vamos irritar esta gente que se governa, enquanto diz que nos governa?

O Vasco gritava: «chapéus há muitos, seu palerma!»

Será que o mesmo grito, resultará para o Socrates, trocando os chapéus pelo seu primo "Magalhães"?

Duvido. Continuo um homem cheio de dúvidas.

sábado, 18 de outubro de 2008

Beleza Atrás do Balcão


Tal como o meu tio Valentim, gosto de encontrar rostos bonitos do lado de lá de qualquer balcão.
Há uma loura sempre de sorriso aberto e simpática, no café onde almoço às quartas, dia do cozido à portuguesa.
E ela segue as regras da ASAE, de avental e lenço na cabeça...

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

sábado, 20 de setembro de 2008

De Bom a Vilão

Não achava muita piada ao juiz Rui Teixeira, quando invadia a nossa casa, em todos os serviços noticiosos.

Nesse tempo fiquei convencido que não ia gostar de o encontrar na barra de tribunal.
Mas reconheci-lhe a coragem de desafiar tantos poderes, visíveis e invisíveis, de não se assustar com os nomes que iam surgindo, e alguns eram pesadões.
Quando o Pedroso foi preso, não sabia que pensar.
Havia jornalismo para todos os gostos, embora a maioria nos baralhasse as ideias.
Até essa altura nunca tinha reparado que o deputado não tinha barba e tinha uma voz efeminizada.
Também sabia que não tinham sido essas as razões da sua detenção.
A pouco e pouco, fui verificando que havia ali muita coisa estranha, à volta daquela gente do PS.
É por isso que não estranho que ele queira dinheiro do estado e que os amigos que estão no poder, aplaudam.
O Pinto da Costa também quer o nosso dinheirinho, o Valentim também quer receber algum, assim como a Fátima.
Só falta o Vale Azevedo pedir também uma indemnização, de Londres.
Entretanto o Juiz justiceiro tornou-se o Vilão da história.
E nós, em quem confiamos, na justiça coxa ou nos políticos mafiosos?

domingo, 10 de agosto de 2008

Então, são Heróis ou Assassinos?


Neste país que também é meu, embora não o escolhesse, por razões óbvias, as variações de humor são incontáveis. Pior que estes estados de alma, entre o riso expansivo e a cara de desgraçadinho, só as mudanças de opinião.
Estava sentado na tasca do bairro a ler o jornal e ia ouvindo as bojardas que iam saindo da mesa ao lado em relação ao tema da semana: a tentativa de assalto de um banco com sequestro.
Primeiro chamavam nomes aos brasileiros e diziam que até que enfim, que os polícias eram polícias.
Com a chegada de um gajo que até no Verão usa gravata, as opiniões começaram a dançar, porque o "pacheco pereira" da mesa, não gostava de polícias e achava que não era preciso matar, faltava diálogo e educação aos agentes da autoridade.
Em menos de um minuto estavam todos a concordar com o "gravata cor de rosa", os polícias afinal não eram heróis, eram mais uns assassinos...
Se a taberna vendesse uns BM's fresquinhos, eram bem atirados para as carantonhas daquelas marionetes ambulantes.
É por causa desta gentalha, que em vez de pensar gosta é de andar em rebanho, que me irrita ser Português.
Antes de sair, vi que o gajo da gravata, estava a pagar a rodada...

domingo, 20 de julho de 2008

Encher a Barriga de Fumo


Passei a noite pelo bar de perdição do meu tio Valentim.

Quando jovem o tio ficou enamorado pela rapariga que estava do lado de lá do balcão e cirandava de mesa e mesa, infelizmente casada com o dono, com no minimo vinte anos e cinquenta quilos de avanço.

Continuou a entrar naquela porta, a beber um bagaço que pedia meças ao scotche e a olhar a sua deusa, até começar a ser observado pelo dono da casa e da moçoila.

Um dia foi convidado a deixar de passar por alí, para continuar com os ossos inteiros.

O tio voltou no dia seguinte, no outro e no outro...

Nunca foi incomodado mas a rapariga foi proibida de sair do lado de dentro do balcão. E um dia desapareceu mesmo.

O tio contou-me essa história, trinta e muitos anos depois, entre cigarros, bagaços e histórias de Lisboa.

Nunca mais viu a boneca fatal, nunca mais a esqueceu.

O tio ainda está por cá, já não tem a pinta de "boggie", que metia respeito aos homens e admiração às mulheres, não fosse um homem dos jornais e da noite.

Fiquei ali, a fumar e a beber um bagaço, e depois outro, como se estivesse com o pai e com o tio, a ouvir histórias do bom tempo, quando existiam coristas que gostavam de se enrolar na madrugada.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Praia? Não. Obrigado!

Não me recordo de uma praia sem gente, neste litoral, invadido por todas as interioridades, a partir de Junho.
É assim desde a infância (malditas Costa da Caparica e Carcavelos).
Esperem, lembro-me de uma, mas já não é...
Onde antes existiu um areal quase deserto, com apenas um barracão para pescadores. Era preciso descer as pedras, agora semearam lá umas escadas amarelas e azuis e aquilo tornou-se moda surfista, até de banheira.

Pois bem, para piorar as coisas, como sou branco e fininho, tenho vergonha de andar de calções, de me misturar com os hércules e as boas e sexis, vestidos e vestidas apenas com as modernas parras da eva e do adão.
Ainda visitei algumas praias à noite, com gente a dar música, petiscos e bebidas fortalhaças. Mas aquela confusão incomodava-me. Pensei: «para quê ir para a confusão, se posso entrar nos melhores bares de Lisboa, tão confortáveis e sem as enchentes do costume?»
As minhas férias? Tiro-as no Inverno e na Primavera, sem neve e sem praia. Prefiro viajar, conhecer mundos, cidades e pessoas normais, mais ou menos vestidas.

Praia? Não. Obrigado!

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Brindámos às Tuas Palavras


É verdade, Fernando.
Antes do almoço descemos ao "Martinho da Arcada", pedimos três moscateis e fizemos um brinde, encarnando os teus irmãos mais conhecidos.
Eu fiz de Bernardo Soares, o Flávio assumiu o papel de Ricardo Reis, o Joaquim foi naturalmente o Álvaro de Campos. Só faltou mesmo o Alberto Caeiro, porque o Luís, baldou-se ao almoço e ficou em Cacilhas.
Em tua honra, Fernando, prometemos continuar a ser umas "excelentes pessoas" e a divulgar a tua poesia, mesmo no botequim mais sarnoso.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

«Ainda Não me Falta a Memória»


Há coisas que só têm graça ao vivo, contadas perdem sempre mais de metade da piada.
O meu colega de trabalho, Joaquim Corça, à beira da reforma, tem saídas únicas.
A última foi ontem ao almoço, numa mesa de amigos, bem regada, quase ao lado de outra, muito bem frequentada por três mulheres, bonitas e maduras.
O Manecas entrou com ele, perguntando-lhe se já precisava de "viagra" para dar assistência àqueles aviões.
Joaquim sorriu, antes de dizer com orgulho: «Já sou avô e vou para os sessenta, mas ainda não me falta a memória, tanto numa como noutra cabeça.»
Risada geral, como calculam.
As mulheres da vizinhança perceberam que eram o assunto da sobremesa, porque também acompanharam a parte doce da refeição e os cafés com sorrisos matreiros, embora mais disfarçados que os nossos, como convém, numa mesa de senhoras.