quinta-feira, 30 de abril de 2015

O Tempo não Te Perdoou...


Olhei-te, primeiro na dúvida, depois na certeza. Eras mesmo tu.


Estava diferente. Quase ao contrário de quando te conheci.

Nesse tempo querias crescer, foi por isso que me trocaste por um homem mais velho...

Agora andavas com um rapazito que podia ser teu filho.

Não sei se foi a vida que não te ensinou quase nada, se foste tu, que lhe viraste costas...

Não tive pena de ti, não sorri, não abanei a cabeça. Lembrei-me apenas que são as aves que têm penas (e não as galinhas...).

terça-feira, 31 de março de 2015

O Corpo que se Tem e o que se Deseja


As modas são terríveis.


Sempre achaste que tinhas os seios pequenos e que devias fazer um implante.

Eu dizia-te que não, sem te convencer. Até me chamavas mentiroso.

Depois desaparecemos do corpo um do outro, mas sei que com o teu primeiro filho, ficaste com as maminhas com que sonharas.

Felizmente a natureza substituiu o bisturi.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Quando não Sabemos o que Queremos...


Quando não sabemos o que queremos, esperamos a boleia do acaso.



Nem precisamos de acreditar no destino, apenas nos golpes de sorte ou azar.

Claro que da maneira com te vestiste (não me lembrava de te ver de saia ou vestido), havia algo mais no ar. Algo que não conseguimos concretizar em nada de palpável.

Medo? Provavelmente.

Medo de nos "aleijarmos", fruto de uma maior consciência dos perigos que se correm ao avançar-se rápido demais.
Foi por isso que quase ficámos parados. Só falámos. Tu mais que eu. E bebemos apenas sumo de laranja natural.

Mesmo que ambos precisássemos de mais que uma conversa de amigos. Senti mais que uma vez o brilho dos teus olhos, que achei mais bonitos que de outras vezes.

Mas ninguém avançou para os terrenos perigosos onde os homens e as mulheres se perdem e se ganham. Tivemos medo de perder o que existe...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Os Encontros e os Desencontros


A vida é tão estranha. 


Sei que te podia encontrar em qualquer lugar, vinte anos depois.
Ou podia nunca mais te olhar.

Quando te vi, acompanhada, olhei-te nos olhos. Tu também. Mas não fui capaz de dizer nada. Tu também.
Mas era impossível esquecer-te, ali naquele lugar, naquele momento.

Foste a minha única namorada que era cobiçada por meio mundo. Alguns rapazes mais presos ao espelho, chegaram a desabafar não perceber o que conseguias ver em mim...

Nessa altura não pensava em nada muito sério. Queria apenas aproveitar o momento, partilhar contigo algumas das coisas boas da vida...

E agora estavas ali, em silêncio, a tentar não olhar para mim, sabe-se lá porquê...

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Tu e o Lenço


Vi uma mulher ao volante com um lenço na cabeça e um sorriso luminoso.


Pensei logo em ti, pelo teu sorriso e pela forma como colocavas o lenço da cabeça, que te dava sempre um ar cheio de graça.

Perguntava-te porque não usavas mais vezes um lenço a segurar-te os cabelos e te desculpavas-te, que normalmente não andavas com o cabelo meio deslavado e feio...

Percebi que não te achavas nada de especial com o lenço. 

Mas eu gostava de ti desta e de muitas maneiras...

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Ambições e Enganos


Pensava que tinha acontecido uma coisa e soube hoje que fora exactamente o contrário.


Depois da separação, ela andou um pouco à nora até aparecer um fulano vulgar, que a levou à certa. Pensava que ele devia ter dinheiro (e ele dizia que sim...), mas vim a descobrir que passou o tempo todo a viver à custa da mulher que fingia amar e a quem fez uma coisa do teatro, pediu-a em casamento, de joelhos, numa sessão pública (talvez para ser mais convincente), mas até os anéis de noivado foram pagos por ela (ele dizia que tinha as contas congeladas por o divórcio ainda estar a decorrer...).

Ela parecia-me esperta e pensei que estava a tentar ficar bem, até por continuar desempregada e saber que o subsídio não ia durar sempre...

Mas quando a história acabou, ficou com menos dinheiro que no seu início (até lhe pagou jantares e as flores que ele lhe oferecia), ou seja foi levada à certa.

Ele deve andar por aí, a fazer a corte a mais alguma mulher próxima do desespero, a quem oferece o ombro e mais qualquer coisa.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Estranhamente Antiga e Bonita


Apesar do seu ar moderno, Ana era estranhamente antiga.


Gostava das tarefas domésticas, lavar roupa, passar a ferro, lavar louça, limpar o pó...

Mas estava longe de ser submissa como as nossas mães. Ou de ficar fechada em casa.

E também tocava muito bem violão.

Sem saber porquê, lembrei-me dela.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Dar de Beber à Dor


Bebias mais do que eu, muito mais.


Como a maior parte dos homens, não percebi logo aquela necessidade de dar de beber à dor.

Distracções que às vezes se revelam fatais...

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A Mulher da Mesa Número Sete


Sentas-te na mesma mesa, sempre de livro aberto, mas com o olhar distante, muito para lá da janela grande, com vista para o desfile diário da rua movimentada.


Nunca falamos, nem com um simples cumprimento de cortesia. Mas quando nos olhamos, paramos mais que um segundo, e tentamos descobrir algo mais de nós, dentro do olhar. Passados os dois segundos desistimos e voltamos para a nossa tarefa, de ler e de escrever.

Aposto que quando ela me vê escrever, pensa que estou a escrever sobre ela. E às vezes é, como agora...

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Fugir de Setembro


Setembro continua a ser um mês de perdas.


O Verão leva tantas coisas, até a ilusão do amor.

Sem fazer contas exaustivas, Setembro foi o princípio do fim de muitos amores. E nem todos foram apenas de Verão.

Há um querer começar de novo, um desapego a ontem. Há o pensar que amanhã é diferente, mesmo que nunca seja...

domingo, 31 de agosto de 2014

Os Bilhetes de Papel Desaparecidos


Descobri uma caixa cheia de bilhetinhos antigos, alguns ainda da adolescência.


Nesses tempos não havia o SMS e muito menos a Internet e os e-mails.

Hoje estragam-se menos árvores, mas a magia das palavras desaparece mais rápido. A caligrafia é sempre mais romântica que as palavras de qualquer máquina...

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Nem Todas Eram de Plástico


Muitas quase que tinham selo do embrulho.


Não eram todas. 

Mesmo as que eram de plástico, não eram marionetes. Era apenas uma profissão, uma questão de sobrevivência.

Olhava-as e sabia que sofriam muito mais que nós, porque a beleza feminina continua a ter muito que se lhe diga.

Pelas conversas que ia escutando, percebia que o que há mais por ai são homens que olham para mulheres como meros objectos de satisfação visual. Normalmente andam com os bolsos cheios de notas.